sexta-feira, julho 09, 2010
30 Anos sem o Poetinha...
quarta-feira, julho 07, 2010
20 anos Sem o Poeta
terça-feira, junho 09, 2009
Chansons D´amour
Meu povo querido, estou de volta para divulgar esse que vai ser um grande show da minha amiga Lucinha Guerra...Na Livraria Cultura no dia 10/06, ela mostra um projeto que há vários anos me falou que queria realizar, um show só com canções francesas e sem mais delongas vejam esse video abaixo e confirmem se não é imperdível...
Um Abraço Para Todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem
quinta-feira, março 05, 2009
Cem Anos de um Mestre das Palavras

Esse é um momento onde as palavras vão falar por si só, em homenagem aos 100 anos de nascimento desse poeta do interior do Ceará, uma pessoa simples que com suas palavras encantou mutas pessoas e que nos deixou em 2002, mas deixou um legado que foi musicado e gravado por tanta gente boa...
Para ilustrar essa homenagem, uma música que foi gravada por Luiz Gonzaga e que mostra toda a veia poética desse matuto do Cariri e que me faz pensar em todas as histórias de pessoas que deixam o seu lugar de origem para tentar a sorte em outro centro, é grande mas vale a pena ler esse clássico da música brasielira...
A Triste Partida
(Patativa do Assaré)
Meu Deus, meu Deus. . .
Setembro passou
Outubro e Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz
Ai, ai, ai, ai
A treze do mês
Ele fez experiência
Perdeu sua crença
Nas pedras de sal,
Meu Deus, meu Deus
Mas noutra esperança
Com gosto se agarra
Pensando na barra
Do alegre Natal
Ai, ai, ai, ai
Rompeu-se o Natal
Porém barra não veio
O sol bem vermeio
Nasceu muito além
Meu Deus, meu Deus
Na copa da mata
Buzina a cigarra
Ninguém vê a barra
Pois a barra não tem
Ai, ai, ai, ai
Sem chuva na terra
Descamba Janeiro,
Depois fevereiro
E o mesmo verão
Meu Deus, meu Deus
Entonce o nortista
Pensando consigo
Diz: "isso é castigo
não chove mais não"
Ai, ai, ai, ai
Apela pra Março
Que é o mês preferido
Do santo querido
Senhor São José
Meu Deus, meu Deus
Mas nada de chuva
Tá tudo sem jeito
Lhe foge do peito
O resto da fé
Ai, ai, ai, ai
Agora pensando
Ele segue outra tria
Chamando a famia
Começa a dizer
Meu Deus, meu Deus
Eu vendo meu burro
Meu jegue e o cavalo
Nós vamos a São Paulo
Viver ou morrer
Ai, ai, ai, ai
Nós vamos a São Paulo
Que a coisa tá feia
Por terras alheia
Nós vamos vagar
Meu Deus, meu Deus
Se o nosso destino
Não for tão mesquinho
Cá e pro mesmo cantinho
Nós torna a voltar
Ai, ai, ai, ai
E vende seu burro
Jumento e o cavalo
Inté mesmo o galo
Venderam também
Meu Deus, meu Deus
Pois logo aparece
Feliz fazendeiro
Por pouco dinheiro
Lhe compra o que tem
Ai, ai, ai, ai
Em um caminhão
Ele joga a famia
Chegou o triste dia
Já vai viajar
Meu Deus, meu Deus
A seca terrível
Que tudo devora
Lhe bota pra fora
Da terra natá
Ai, ai, ai, ai
O carro já corre
No topo da serra
Oiando pra terra
Seu berço, seu lar
Meu Deus, meu Deus
Aquele nortista
Partido de pena
De longe acena
Adeus meu lugar
Ai, ai, ai, ai
No dia seguinte
Já tudo enfadado
E o carro embalado
Veloz a correr
Meu Deus, meu Deus
Tão triste, coitado
Falando saudoso
Seu filho choroso
Exclama a dizer
Ai, ai, ai, ai
De pena e saudade
Papai sei que morro
Meu pobre cachorro
Quem dá de comer?
Meu Deus, meu Deus
Já outro pergunta
Mãezinha, e meu gato?
Com fome, sem trato
Mimi vai morrer
Ai, ai, ai, ai
E a linda pequena
Tremendo de medo
"Mamãe, meus brinquedo
Meu pé de fulô?"
Meu Deus, meu Deus
Meu pé de roseira
Coitado, ele seca
E minha boneca
Também lá ficou
Ai, ai, ai, ai
E assim vão deixando
Com choro e gemido
Do berço querido
Céu lindo azul
Meu Deus, meu Deus
O pai, pesaroso
Nos filho pensando
E o carro rodando
Na estrada do Sul
Ai, ai, ai, ai
Chegaram em São Paulo
Sem cobre quebrado
E o pobre acanhado
Procura um patrão
Meu Deus, meu Deus
Só vê cara estranha
De estranha gente
Tudo é diferente
Do caro torrão
Ai, ai, ai, ai
Trabaia dois ano,
Três ano e mais ano
E sempre nos prano
De um dia vortar
Meu Deus, meu Deus
Mas nunca ele pode
Só vive devendo
E assim vai sofrendo
É sofrer sem parar
Ai, ai, ai, ai
Se arguma notícia
Das banda do norte
Tem ele por sorte
O gosto de ouvir
Meu Deus, meu Deus
Lhe bate no peito
Saudade lhe molho
E as água nos óio
Começa a cair
Ai, ai, ai, ai
Do mundo afastado
Ali vive preso
Sofrendo desprezo
Devendo ao patrão
Meu Deus, meu Deus
O tempo rolando
Vai dia e vem dia
E aquela famia
Não vorta mais não
Ai, ai, ai, ai
Distante da terra
Tão seca mas boa
Exposto à garoa
À lama e o paú
Meu Deus, meu Deus
Faz pena o nortista
Tão forte, tão bravo
Viver como escravo
No Norte e no Sul
Ai, ai, ai, ai
Um Abraço para Todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
Um Momento Especial

Vários artistas estavam presentes, mas para não cometer uma gafe e não esquecer alguém vou representar em duas cantoras que emocionaram quem estava presente lá... Uma é uma ícone da música brasileira e outra está buscando seu espaço, Elba Ramalho e Cláudia Beija...
Tudo começou na segunda parte da festa, onde Claudinha deu uma canja do seu show sobre Noel Rosa tendo uma Elba vibrando, cantando e aplaudindo a cada música que era interpretada por Claudinha...

Bom, logo depois foi a vez de Elba subir ao palco para mostrar com sua simplicidade e humildade um dos grandes sucessos seus Bate Coração e quando acabou de cantar resolveu fazer uma surpresa todo mundo e principalmente Claudinha chamando ela para cantar sambas,pois a apresentação e só confirmou o que ela já tinha escutado uma vez num restaurante da cidade, ou seja, Elba já tinha escutado Claudinha e gostado muito e com isso as duas fizeram um dueto em duas músicas de Noel Rosa deixando todos com a impressão que quem não estava lá perdeu um momento único...
Após Claudinha sair do palco, ela estava extremamente emocionada e muito grata a uma grande amiga nossa Sandra Pinheiro que insistiu para que ela cantasse na festa, imagina se resolve não cantar, não iria encantar o povo...
Claudinha é uma dessas cantoras que o mundo precisa descobrir, pois com tantas bobagens que vemos por ai, essa voz tem que aparecer e não ficar restrito a bares, restaurantes...
Parabéns ao Fábio Cabral que com seu momento tão importante que foi o lançamento do seu disco pode nos proporcionar esse verdadeiro grande encontro...
Graças a meu amigo Nilson Araujo esse momento ficará eternizado, então coloco aqui dois links para videos no youtube que foram disponibilizados por ele:
Elba e Claudinha em Palpite Infeliz
Elba e Claudinha em Feitiço da Vila
Um Abraço para todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem
domingo, fevereiro 01, 2009
É Samba Que Eles Fazem

No inicio de Dezembro conversando com minha amiga cantora, Lucinha Guerra e ela me disse que iria fazer um projeto cantando sambas de qualidade em parceria com Geraldo Maia...
Pois bem, isso me fez recordar que já tinha pensado nessa união, inclusive comentei com Fábio Cabral da Passa Disco para fazer esse show lá, até numa idéia que tive para lançar o blog e tal...

Quando foi agora em janeiro, esse projeto se concretizou no Pátio de São Pedro com o titulo "Samba que Eles Querem", os dois se uniram e fizeram uma dupla que encantou a quem esteve num sábado à noite para desfrutar de boa música e só temos a agradecer que essa dupla é pernambucana...
Dividindo o palco em boa parte do show, Lucinha e Geraldo mostravam a felicidade de estarem juntos pela primeira vez num espetáculo completo com seus repertórios, com uma mescla de músicos que tocam com os dois e que formaram uma banda bem ajustada, Rodrigo Samico e Alex Sobreira nos violões Sete Cordas, Nestor do Cavaquinho e Jerimun de Olinda e Zé Deck nas percussões...

Durante todo o show além de dividirem o palco, se revezavam, cantando os grandes sambistas e também músicas de seus repertórios, sempre dando uma cara bem particular a esse que é um ritmo verdadeiramente brasileiro...
Espero que essa parceria vá longe e tenhamos muitos mais shows para que mais gente possa reverenciar esse trabalho feito com muita paixão pelos queridos amigos Lucinha Guerra e Geraldo Maia...

Bom gente, vou encerrando colocando duas músicas que eles cantaram juntos no show para voltar ao velho hábito do blog:
A Ordem É Samba
(Jackson do Pandeiro/Severino Ramos)
É samba que eles querem
Eu tenho!
É samba que eles querem
Lá vai!
É samba que eles querem
Eu canto!
É samba que eles querem
Nada mais
No Rio de Janeiro
Todo mundo vai de samba
A pedida é sempre samba
E eu também vou castigar
Lá vai!
Lá vou eu de samba
Somente samba
A Ordem é Samba
E nada mais
É samba que eles querem
Eu tenho!
É samba que eles querem
Lá vai!
É samba que eles querem
Eu canto!
É samba que eles querem
Nada mais
Na Cadência do Samba
(Ataulfo Alves/Paulo Gesta)
Sei que vou morrer, não sei o dia
Levarei saudades da Maria
Sei que vou morrer, não sei a hora
Levarei saudades da Aurora
Quero morrer numa batucada de bamba
Na cadência bonita do samba
Mas o meu nome ninguém vai jogar na lama
Diz o dito popular
Morre o homem, fica a fama
Quero morrer numa batucada de bamba
Na cadência bonita do samba
Um Abraço para Todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem
sábado, janeiro 10, 2009
Eu Tô na Crista da Onda, Eu Tô Fazendo Sucesso, Tô no Topo do Cristo
Hoje eu falo sobre um disco, mesmo que ainda estejamos no inicio de 2009, tem tudo para ser o lançamento do ano, que é a coletânea Pernambuco Cantando para o Mundo Vol 2 da loja Passa Disco... 


segunda-feira, janeiro 05, 2009
Instrumental do Bom

Bom, agora voltando para o show de Zé da Velha e Silvério Pontes, um trombonista e um trompetista que estão comemorando vinte e cinco anos de parceria e que quando eu trabalhava com disco, era um dos que mais vendiam na música instrumental na loja, pois fazem uma música de qualidade com requinte e sofisticação, sem esquecer o popular e não precisa letra ou poesia para que uma música possa passar uma mensagem de alegria e paz e o show foi de uma qualidade impressionante, mostrando que as Bodas de Prata não são por acaso, estavam afinados e com uma homenagem a Pernambuco, com uma citação de Vassourinhas na abertura, eles juntamente com o Trio Madeira Brasil encantou a quem estava presente e depois de algumas músicas juntos, eles sairam do palco e deixaram só as cordas do trio...

O Trio Madeira Brasil é uma história diferente, formado por três virtuoses, Ronaldo do Bandolim, Zé Paulo Becker e Marcello Gonçalves, eles simplesmente mudaram meu conceito de ouvir chorinho quando fizeram um arranjo de Assanhado de Jacob do Bandolim em Blues, ficando uma coisa estupenda, maravilhosa e outras músicas muito bem executados impressionando toda a platéia, hipnotizando, em suma uma apresentação sem comentários...
No encerramento com todos juntos novamente, o show foi encerrado com Trenzinho Caipira com uma versão que fez jus ao nome, um inicio bem música de raiz e no bis fizeram uma homenagem a Dorival Caymmi, em suma um domingo para ficar na minha história, quem me dera todos fossem assim...
Um Abraço para Todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem
quinta-feira, janeiro 01, 2009
Pernambuco Nação Cultural
O Pernambuco Nação Cultural nos mostra os artistas da nossa terra, facilitando a vida de quem quiser pesquisar sobre esse estado, onde a cultura aflora em todos os cantos, seja na Sé em Olinda, no Recife Antigo, nas cirandas de Lia em Itamaracá, nos Maracatus em Nazaré da Mata, nos Papangus em Bezerros, no São João de Caruaru...
O link para que todos possam conhecer essa iniciativa do governo de Pernambuco está no titulo do post, entrem lá e procurem se inteirar de toda a cultura que é feita aqui no estado...
São essas iniciativas que devem ser feitas para que ocorra um desenvolvimento dos artistas, para que eles possam mostrar seus trabalhos e serem conhecidos por todo mundo...
Bom gente, por hoje é só, pretendo retornar pelo menos uma vez por semana para não receber tantas reclamações de que não atualizo o blog...
segunda-feira, dezembro 01, 2008
Analisando Shows
Lá pelo meio do show Spock entra pela platéia tocando seu sax e dá um show particular enquanto Nóbrega se prepara para a outra parte do show e quando ele volta faz um dueto de sax e violino show de bola...

Encerrando a noite como já é de praxe, ao lado de Marcos César com sua orquestra e Spock, foi feito o grande arrastão de carnaval, onde os corredores do Teatro da UFPE viraram por alguns instantes as ladeiras de Olinda em plena folia de momo...
Um fato que merece atenção também foi uma curiosidade pessoal que ocorreu no show, pois uma amiga que já fazia um tempo que não via, Ana Paula Sá, me encontrou e contou que fez uma monografia sobre cultura pernambucana com o tema Antônio Nóbrega e me deixou muito orgulhoso, já que o primeiro show dele que ela foi em virtude de um convite meu e isso me estimulou a voltar a escrever aqui no blog...
Um abraço para todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem
quarta-feira, setembro 03, 2008
Eu Vendo a Luz do Céu, Quem Quer Comprar?

Beto L. Carvalho
domingo, agosto 31, 2008
Veio Salu Com Seu Bumba meu Boi

domingo, agosto 17, 2008
Ai, Ai que Saudade que Tenho de Dorival
Bom, hoje eu não irei falar nada, só vou homenagear o grande compositor baiano que infelizmente nos deixou hoje...Seu Dorival que cantou tão bem o mar foi vencido pela idade, mas deixou uma prole que muito bem representa o talento musical...
Já que não vou falar muito, vamos colocar alguns clássicos da música popular brasileira:
É Doce Morrer No Mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
Saveiro partiu
de noite foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
sereia do mar levou
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
Nas ondas verdes do mar meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de novo no colo de Iemanjá
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar meu bem
É doce morrer no mar
Dora
Dora
Rainha do frevo
E do Maracatu
Dora
Rainha cafuza de um maracatu
Te conheci no Recife
Dos rios cortados de pontes
Dos bairros das fontes, Coloniais,
- Dora - Chamei
- Ô Dora! Ô Dora...
Eu vim a cidade
Pra ver meu bem passar
Ô Dora...
Agora... no meu pensamento
Eu te vejo, requebrando pra cá,
Ora pra lá, meu bem,
Os clarins da banda militar
Tocam para anunciar,
A tua Dora agora vai passar,
Venham ver o que é bom!...
Ô Dora, rainha do frevo e do Maracatu,
Ninguém requebra nem dança melhor do que tu!
O Samba Da Minha Terra
O samba da minha terra deixa a gente mole
Quando se canta
Todo mundo bole
Quando se canta
Todo mundo bole
Quem não gosta de samba
Bom sujeito não é
É ruim da cabeça
Ou doente do pé
Eu nasci com o samba
No samba me criei
Do danado do samba
Nunca me separei
Marina morena Marina você se pintou
Marina faça tudo
Mas faça o favor
Não pinte este rosto que eu gosto
Que eu gosto e que é só meu
Marina você já é bonita
Com o que Deus lhe deu
Já me aborreci, me zanguei
Já não posso falar
E quando eu me zango, Marina
Não sei perdoar
Eu já desculpei tanta coisa
Você não arrajava outro igual
Desculpe Marina, morena
Mas eu tô de mal, de mal com você
De mal com você
sábado, agosto 09, 2008
Uma Grande Celebração

Selvagem
A polícia apresenta suas armas
Escudos transparentes, cacetetes
Capacetes reluzentes
E a determinação de manter tudo
Em seu lugar
O governo apresenta suas armas
Discurso reticente, novidade inconsistente
E a liberdade cai por terra
Aos pés de um filme de Godard
A cidade apresenta suas armas
Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos
E o espanto está nos olhos de quem vê
O grande monstro a se criar
Os negros apresentam suas armas
As costas marcadas, as mãos calejadas
E a esperteza que só tem quem tá
Cansado de apanhar
A polícia apresenta suas armas
Escudos transparentes, cacetetes
capacetes reluzentes
E a determinação de manter tudo em seu lugar
O governo apresenta suas armas
Discurso reticente, novidade inconsistente
E a liberdade cai por terra
Aos pés de um filme de Godard
A cidade apresenta suas armas
Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos
E o espanto está nos olhos de quem vê
O grande monstro a se criar
Os negros apresentam suas armas
As costas marcadas, as mãos calejadas
E a esperteza que só tem quem tá cansado de apanhar
Polícia
Dizem que ela existe pra ajudar
Dizem que ela existe pra proteger
Eu sei que ela pode te parar
Eu sei que ela pode te prender
Polícia! Para quem precisa?
Polícia! Para quem precisa de polícia?
Dizem pra você obedecer
Dizem pra você responder
Dizem pra você cooperar
Dizem pra você respeitar
Polícia! Para quem precisa?
Polícia! Para quem precisa de polícia?
Ska
A vida não é filme, você não entendeu
Ninguém foi ao seu quarto quando escureceu
Sabendo o que passava no seu coração
Se o que você fazia era certo ou não
E a mocinha se perdeu olhando o Sol se por
Que final romântico, morrer de amor
Relembrando na janela tudo que viveu
Fingindo não ver os erros que cometeu
E assim
Tanto faz
Se o herói não aparecer
E daí
Nada mais
A vida não é filme, você não entendeu
De todos os seus sonhos não restou nenhum
Ninguém foi ao seu quarto quando escureceu
E só você não viu, não era filme algum
E a mocinha se perdeu olhando o Sol se por
Que final romântico, morrer de amor
Relembrando na janela tudo que viveu
Fingindo não ver os erros que cometeu
E assim
Tanto faz
Se o herói não aparecer
E daí
Nada mais
E assim
Tanto faz
Se o herói não aparecer
E daí
Nada mais.
Sonifera Ilha
Por isso colo meu ouvido no radinho de pilha
Pra te sintonizar sozinha, numa ilha
Sonífera ilha
Descansa meus olhos
Sossega minha boca
Me enche de luz
Sonífera ilha
Descansa meus olhos
Sossega minha boca
Me enche de luz
Não posso mais viver assim do seu ladinho
Por isso colo meu ouvido no radinho de pilha
Pra te sintonizar sozinha, numa ilha
Sonífera ilha
Descansa meus olhos
Sossega minha boca
Me enche de luz
sexta-feira, agosto 08, 2008
Estação Retrô

Ai ai ai, ui Blau Blau
Blau Blau, Blau Blau
Ela não me quer
Ai Blau Blau, Blau Blau
Ai, meu ursinho Blau Blau de brinquedo
Vou contar pra você um segredo
Só você mesmo pra me aturar
Ai, esse meu coração tão vadio
Se amarrou nesse corpo macio
Ela quer é me fazer pirar
Ai de mim, ai
Ai blau blau
Blau Blau, Blau Blau
Ela não me quer
Ai Blau Blau
Blau blau
Ai que bom seria se ela se ligasse em mim
Esquecer o medo e confessar que está afim
Ai, ela quase me leva à loucura
Ela tem um sabor de aventura
Todos dizem que ela é demais
Tic Tic Nervoso
Estou preso no trânsito
Com pouca gasolina
O calor tá de rachar
E lá fora é só buzina
Perdi o meu emprego
Que já era mixaria
e "onti" fui assaltado
Em plena luz do dia
Isso me dá... Tic tic nervoso
Isso me dá... Tic tic nervoso
E quando eu chego em casa
É aquela baixaria
As contas estão vencidas
E a geladeira está vazia
Encontro uma garota
Um tremendo avião
Pergunto o seu nome
Ela me diz que é João
Isso me dá... Tic tic nervoso
Isso me dá... Tic tic nervoso
Eu sempre me achei um rapaz normal
Que esse papo de analista fosse coisa pra bossal
Agora me chamam de esquisito, de sujeito atrapalhado
Só por causa desse meio jeito todo torcido assim pro
lado
É que eu fiquei com... Tic tic nervoso
É que eu fiquei com... Tic tic nervoso
Estou preso no transito
Com pouca gasolina
O calor tá de rachar
E lá fora é só buzina
Antigamente todos tinham
Esperança de vencer
E acontece que hoje em dia
Não da mais pra se viver
Viver sem ter... Tic tic nervoso
Viver sem ter... Tic tic nervoso
Tic tic nervoso Tic tic nervoso
Viver sem ter... Tic tic nervoso
Tic tic nervoso Tic tic nervoso
Isso me dá... Tic tic nervoso
Tic tic nervoso Tic tic nervoso
Casanova
Boa noite Rainha,como vai?
Sou o seu coringa,o seu ás
Luvas de couro
Meias de seda brilham ao luar
Eu vivo mesmo de smoking
Vamos dançar!
Boa noite,como vai?
Como vai?
No meio da noite você chama
Eu venho como fogo incendiar sua cama
Não se afogue em meus beijos
Não se afobe
Eu venho devagar
E amanhã, eu prometo,eu vou voltar
Boa noite, meu amor!
A vida é arte do saber
Quem quiser saber tem que viver
Trago um mundo novo prá você
E daí,tudo bem?E você?
Como vai? Eh,como vai?
Os aventureiros entram em cena
Voando bem alto ao som do planeta
Cavalos alados e seus cavaleiros brincam ao luar
Tomando de assalto o dia que vai chegar
Boa noite,até já!
Ah,até já!...
A Fórmula Do Amor
Eu tenho o gesto exato
Sei como devo andar
Aprendi nos filmes pra um dia usar
Um certo ar cruel
De quem sabe o que quer
Tenho tudo planejado pra te impressionar
Luz de fim de tarde
Meu rosto em contra-luz
Não posso compreender
Não faz nenhum efeito
A minha aparição
Será que errei na mão
As coisas são mais fáceis na televisão
Mantenho o passo, alguém me vê
Nada acontece não sei porque
Se eu não perdi nenhum detalhe
Onde foi que eu errei
Ainda encontro a fórmula do amor
Eu tenho a pose exata
Pra me fotografar
Aprendi nos livros
Pra um dia usar
Um certo ar cruel
De quem sabe o que quer
Tenho tudo ensaiado pra te conquistar
Eu tenho um bom papo
E sei até dançar
Não posso compreender
Não faz nenhum efeito
A minha aparição
Será que errei na mão
As coisas são mais fáceis na televisão
Eu jogo um charme alguém me vê
Nada acontece não sei porque
Se eu não perdi nenhum detalhe
Onde foi que eu errei
Ainda encontro a fórmula do amor
A Dois Passos do Paraíso
Longe de casa
Há mais de uma semana
Milhas e milhas distante
Do meu amor
Será que ela está me esperando
Eu fico aqui sonhando
Voando alto
Vou perto do céu
Eu saio de noite
Andando sozinho
Eu vou entrando em qualquer bar
Eu faço meu caminho
O rádio toca uma canção
Que me faz lembrar você
Eu, eu fico louco de emoção
E já não sei o que vou fazer
Estou a dois passos do paraíso
Não sei se vou voltar
Estou a dois passos do paraíso
Talvez eu fique, eu fique por lá
Estou a dois passos do paraíso
Não sei por que eu fui dizer bye bye
Bye bye baby bye bye (bis)
A Rádio Atividade leva até vocês
Mais um programa da séria série
"Dedique uma canção a quem você ama".
Eu tenho aqui em minhas mãos uma carta,
Uma carta de uma ouvinte que nos escreve
E assina com o singelo pseudônimo de
"Mariposa apaixonada de Guadalupe"
Ela nos conta que no dia que seria
O dia do dia mais feliz de sua vida
Arlindo Orlando, seu noivo
Um caminhoneiro conhecido da pequena
E pacata cidade de Miracema do Norte,
Fugiu, desapareceu, escafedeu-se.
Oh! Arlindo Orlando
Volte onde quer que você se encontre
Volte para o seio de sua amada.
Ela espera ver aquele caminhão voltando
De faróis baixos, e pára-choque duro.
Agora uma canção
Canta pra mim,
Eu não quero ver você triste assim.
Bye bye baby bye bye
Estou a dois passos do paraíso
E meu amor vou te buscar
Estou a dois passos do paraíso
E nunca mais vou te deixar
Estou a dois passos do paraíso
Não sei por que eu fui dizer bye bye
Até Quando Esperar
Não é nossa culpa nascemos já com a benção
Mas isso não é desculpa pela má distribuição
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
E cadê a esmola que nós damos
Sem perceber?
e que aquele abençoado
Poderia ter sido você
Com tanta riqueza por aí...
Até quando esperar a plebe ajoelhar
Posso vigiar seu carro te pedir trocados
Engraxar seus sapatos
Não é nossa culpa nascemos já com a benção
mas isso não desculpa pela má distribuição
Com tanta riqueza por aí
cadê sua fração
Até quando esperar a plebe ajoelhar
esperando a ajuda de Deus
Até quando esperar a plebe ajoelhar esperando a ajuda de (um único) deus
quinta-feira, julho 03, 2008
Filhos da MPB

Mariana Baltar
Pra ser filho respeitador
E de seu amor merecedor
Tem que achar bonito o que viu
Lá na casa de Dona Biu
Ela tem uma bota de louça
E um lençol que bordou quando moça
Tem que achar bonito o que viu
Lá na casa de Dona Biu
Ela bota a barraca
Ela tira a barraca
Ele vende confeito
Vende picolé
Pergunte a Zefinha ela sabe quem é
A Dona Biu é a mulher de Seu Zé
No serviço de auto-falante
Do morro do Pau da Bandeira
Quem avisa é o Zé do Caroço
Que amanhã vai fazer alvoroço
Alertando a favela inteira
Como eu queria que fosse em mangueira
Que existisse outro Zé do Caroço
Pra dizer de uma vez pra esse moço
Carnaval não é esse colosso
Nossa escola é raiz, é madeira
Mas é o Morro do Pau da Bandeira
De uma Vila Isabel verdadeira
O Zé do Caroço trabalha
O Zé do Caroço batalha
E que malha o preço da feira
E na hora que a televisão brasileira
Distrái toda gente com a sua novela
É que o Zé põe a boca no mundo
Ele faz um discurso profundo
Ele quer ver o bem da favela
Está nascendo um novo líder
No morro do Pau da Bandeira
Juro que tentei mudar
Para algum lugar longe daqui
Pra Quixeramobim, Paraty, Paquetá
Niquiti, Guarujá, Magé, Jericoacoara
Mas eu resolvi voltar
Não adiantou nada fugir
O mundo é que mudou
O mal globalizou
O bicho tá pegando
E é a guerra das desigualdades
A humanidade lavando a roupa
Oportunidade não cruza o Rebouças
É muito louca a vida por aqui
Fim de semana eu viro batuqueira
Pego o meu pandeiro
Vou pra Madureira
Pro meu glorioso Império Serrano
Que vai ganhar e subir esse ano
Pra manter esse corpitcho bacana
Acho até que vou virar marombeira
Corro o calçadão de Copacabana
De segunda a sexta-feira
Ta-hi! (pra Você Gostar De Mim)
Ta-Hi!
Eu fiz tudo prá você gostar de mim
Oh, meu bem não faz assim comigo, não
Você tem, você tem que me dar seu coração
Ta-Hi!
Eu fiz tudo prá você gostar de mim
Oh, meu bem não faz assim comigo, não
Você tem, você tem que me dar seu coração
Meu amor, não posso esquecer
Se da alegria faz também sofrer
A minha vida foi sempre assim
Só chorando as mágoas que não tem fim
A minha vida foi sempre assim
Só chorando as mágoas que não tem fim
Ta-Hi!
Eu fiz tudo prá você gostar de mim
Oh, meu bem não faz assim comigo, não
Você tem, você tem que me dar seu coração
Ta-Hi!
Eu fiz tudo prá você gostar de mim
Oh, meu bem não faz assim comigo, não
Você tem, você tem que me dar seu coração
Essa história de gostar alguém
Já é mania que as pessoas têm
Se me ajudasse, nosso Senhor
Eu não pensaria mais no amor
Se me ajudasse, nosso Senhor
Eu não pensaria mais no amor
Você tem
Você tem que me dar seu coração
Um abraço para todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem
segunda-feira, junho 23, 2008
Umas Reflexões
Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, de todas bandas do gênero). As outras são "gaia", "cabaré", e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.
O secretário de cultura Ariano Suassuna foi bastante criticado, numa aula-espetáculo, no ano passado, por ter malhando uma música da banda Calipso, que ele achava (deve continuar achando, claro) de mau gosto. Vai daí que mostraram a ele algumas letras das bandas de "forró", e Ariano exclamou: "Eita que é pior do que eu pensava". Do que ele, e muito mais gente jamais imaginou.
Pruma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá: Calcinha no chão (Caviar com Rapadura), Zé Priquito (Duquinha), Fiel à putaria (Felipão Forró Moral), Chefe do puteiro (Aviões do forró), Mulher roleira (Saia Rodada), Mulher roleira a resposta (Forró Real), Chico Rola (Bonde do Forró), Banho de língua (Solteirões do Forró), Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal), Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada), Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca), Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró), Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró). Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.
Porém o culpado desta "desculhambação" não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de "forró", parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado. Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético,. Pior, o glamur, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.
A cantora Ceca foi uma espécie de Ivete Sangalo do turbo folk (ainda está na estada, porém com menor sucesso). Foram comprados 100 mil vídeos do seu casamento com Arkan, mafioso e líder de grupo para-militares na Croácia e Bósnia. Arkan foi assassinado em 2000. Ceca presa em 2003. Ela não foi a única envolvida com a polícia, depois da queda de Milosevic, muitos dos ídolos do turbo folk envolveram-se com a justa pelo envolvimento com a poderosa máfia de Belgrado.
A temática da turbo folk era sexo, nacionalismo e drogas. Lukas, o maior ídolo masculino do turbo folk pregava em sua música o uso da cocaína. Um dos seus maiores hits chama-se White (a cor do pó, se é que alguém ignora), e ele, segundo o Guardian, costumava afirmar: "Se cocaína é uma droga, pode me chamar de viciado". Esteticamente, além da pouca roupa, a sanfona é o instrumento que se destaca tanto no turbo folk quanto no chamado forró eletrônico, instrumento decorativo, ali muito mais para lembrar das raízes da música tradicional. Ressaltando-se que não se tem notícia de ligação entre bandas de "forró" e crime organizado. No que elas são iguaizinhas é que proliferaram em meio a débâcle de valores estéticos, morais, e éticos, e despolitização da juventude. Com a volta da governabilidade nas repúblicas da antiga Iugoslávia, o turbo folk perdeu a força, vende ainda porém muito menos do que no passado, hoje é apenas uma música popular para se dançar, e não a trilha sonora de um regime condenado por, entre outras lástimas, genocídio.
Aqui o que se autodenomina "forró estilizado" continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem "rapariga na platéia", alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção ?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é "É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!", alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.
JOSÉ TELES é crítico musical do Jornal do Commercio
Ao contrário do que me escreveu um leitor, não considero que esta música exista porque o povo gosta. O povo foi ensinado a gostar desta música. Como gostava nos anos 60 e 70 de Chico Buarque (que vendeu 600 mil cópias do seu LP de 1978), ou dos Beatles. O popularesco entrou em moda na era Collor, que, bem-nascido, não gostava obviamente de Leandro & Leonardo, mas dava a entender que sim, pra agradar ao eleitorado, puro populismo. Com a massificação da monocultura sonora no rádio brasileiro, a população, mal informada, passou a gostar de qualquer gênero que entrasse na moda. Foi assim com os sertanejos, depois com a axé music, depois com o pagode, e agora com as bandas.
Quando atribui à axé music a existência da fuleiragem music, não quis dizer que a axé era ruim ou boa. Aliás, no início até que havia originalidade no axé, de onde saiu uma das mais interessantes ritmos híbridos da MPB, o samba-reggae, ou o batuque afro do Olodum. Aquele disco O canto da cidade, de Daniela Mercury é muito bom. O que a axé inspirou em todos os subgêneros popularescos (o brega, o pagode, e até o sertanejo) foi a estética de palco, o gestual do bate palminha, tira o pezinho do chão, mexe a bundinha etc etc. No entanto, por mais que forçasse a barra e continuar criando bobagens pra animar o rebanho do abadá, a axé music manteve-se dentro de certos limites. Já a grosseria nestes chamados forrós é própria deles. Começou como uma brincadeira, uma brincadeira que acabou sendo o padrão em todas as bandas. Foi mais ou menos isto que aconteceu nos anos 70, com o forró (o de verdade), e o duplo sentido. No começou era "Passei a noite procurando tu", "Ele tá de olho na butique dela", "Que diabo você tinha?", aí entrou Zenilton de sola com Tabaco, o gostoso da novela, Quiabo cru, Lasca de minhoca, e por aí vai. Porém os forrozeiros conheciam limites, e a piada foi perdendo a graça. E os mais apelativos feito Sandro Becker saíram de linha. Com as bandas não. O tripé rapariga, cachaça, e gaia vem sendo repetido de tal forma, e há tanto tempo, que acabou entrando na linguagem do pessoal que curte tal tipo de música, na qual mulher sempre é gaieira ou pra ser consumida e cuspida em seguida. Cachaça é pra beber até cair, e carro não é apenas meio de transporte, mas lotação pra encher de rapariga. Moderação somente no bom-gosto.
A música? Sob qualquer critério, é muito ruim. Repete-se uma fórmula, com naipe de metais sem a menor criatividade. Os vocais são sempre muito monótonos. Os cantores formularam um tipo de interpretação apropriada para a grosseria do que cantam. As cantoras tentam emular Ivete Sangalo, cuja música também não é lá uma brastemp, mas pelo menos a baiana tem classe, ou pelo menos estilo.
A fuleiragem é música comercial no pior sentido do termo. Tudo bem que seja. Afinal, talento é pra quem tem, não pra quem quer ter. Agora, chamar aquilo de forró é um desrespeito à memória de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Abdias, Marinês, Jacinto Silva, Marinalva, Zito Borborema, Cobrinha, Lindú e Coroné (do Trio Nordestino), e tantos outros. E uma prova de que estas bandas só trazem forró no nome tá na revista Sucesso, de janeiro do ano passado. Nela se anunciava o surgimento de mais uma banda a Dinamite do Forró, cujo estilo assim foi definido por Marquinhos Maraial, produtor do grupo: "A Dinamite do Forró traz uma mistura de forró, vanerão, axé, calipso e arrocha". E aí onde se lê "forró" leia-se "lambada estilizada". Nada contra a mistura de ritmos, ou a lambada, até porque, teve uma época em que Marinês, ou Abdias gravaram discos inteiros de carimbó. Mas não disfarçavam chamando aquilo de forró. Era carimbo mesmo, e do bom.
JOSÉ TELES é crítico musical do Jornal do Commercio
Recebi vários e-mails a respeito dos artigos que assinei aqui nestes Toques Digitais sobre a fuleiragem music. A maioria contra este subgênero musical, derivado da lambada, mas que inexplicavelmente acabou sendo chamado de forró eletrônico. Alguns leitores me consideraram elitista, que quem tem o direito de gostar ou não de determinado tipo de diversão é o povo. Teoricamente é. Mas quando massificam um estilo musical a ponto de grande parte do povo não conseguir mais discernir o que é bom ou ruim, aí a coisa passa a ser discutível. Foi o que acontece, por exemplo, com a axé music. Antes dela o carnaval de Salvador era animado pelos trios elétricos. E aí, aquela pausa que refresca para lembrar que trio elétrico, o de Dodô & Osmar, ou Tapajós, não tinha nada a ver com o que se convencionou denominar trio elétrico de uns 15 anos pra cá. De trio, as bandas de axé têm como semelhança apenas o caminhão turbinado sobre o qual desfila.
Mas como dizia, antes de ser tão rudemente interrompido por mim mesmo, os foliões soteropolitanos corriam atrás do trio elétrico, que tocava frevos, marchinhas, tudo coisa fina. Alguns trios até fizeram sucesso nacional, tocavam no rádio e tal. Aí surgiu a axé music, e exatamente quando a indústria fonográfica nacional alcançava a maioridade. Com as multinacionais instaladas no país, montando estúdios dotados de alta tecnologia, com poder de fogo para disseminar país afora a música que quisessem. Esta maioridade, graças as recordistas vendas de discos no final dos anos 70. Ao contrário do que se costuma propagar em livros, ensaios e em entrevistas, não foram os popularescos Agnaldo Timotéo, Odair José e quejandos que seguraram a onda das gravadoras, permitindo que estas mantivessem em seu cast artistas classe A, que vendiam pouco. Chico Buarque vendeu quase um milhão de cópias de seu LP de 1978 (aquele que tem Cálice). Maria Bethânia emplacou 1 milhão de Álibi. Isto levou as multinacionais e olharem com olhos grandes para o Brasil, eu se tornou o quinto mercado mundial do disco.
Mas tergiversações à parte, quando a axé surgiu, as gravadoras foram nela "di cum força". Os produtores baianos também se profissionalizaram. E não mais que de repente, Daniela Mercury, Netinho, Banda Beijo, Ásia de Águia, Chiclete com Banana tornaram-se ídolos nacionais. Mas não eram artistas de shows. O negócio deles era carnaval. Sabiamente, os empresários passaram a exportar a micareta, que existia em Feira de Santana, há anos O povo que anos antes comprava Chico, Bethânia, Milton Nascimento foi sendo acostumado a gostar de axé que nem era tão ruim assim. Apenas, mais uma música carnavalesca. Quando a axé deu sinais de exaustão, vieram outros gêneros, só que cada vez mais nivelado ao rés do chão.
Aliás, esta história de música ruim é complexa. Para mim tem dois tipos de ruim. Um é o ruim por inépcia, como é o caso de Babau do Pandeiro, ou Ademir, um sujeito que não sei de onde saiu, mas gravou uma das piores músicas que já escutei na vida, um forrozinho de lascar (arrisquem e ouçam no áudio deste artigo. A culpa foi do produtor Geraldinho Magalhães, que me mandou este incrível, extraordinário Ademir). Tem o outro ruim, que é o premeditado. Por exemplo, Paulo Sérgio Valle escreveu letras fantásticas para canções do irmão dele, Marcos Valle. Anos depois passou a escrever letras para sertanejos, ruins naturalmente, porque sertanejo não é muito exigente neste item, e seu público aprendeu a gostar de obviedades poéticas.
Aí chegamos na fuleiragem music. Estas bandas lembram certas crianças mimadas, que dizem um palavrão diante das visitas e aí todo mundo ri. Então o pirralho capricha no palavrão, e diz os mais cabeludos que conhece, porque considera que irá divertir ainda mais os pais e as visitas. Elas começaram com trocadilhos primários, feito aquela "O vizinho quer comer meu cu...elhinho", depois é o que se vê e ouve atualmente. A música das bandas são ruins, por qualquer ângulo que se analise. Ms música ruim sempre houve, sempre haverá. Nunca houve foi música ruim com tal ideologia. É estranho, ver garotas numa platéia de uma banda assumir que é "gaieira", "rapariga", nem que se incentive tanto a beber sem a menor moderação.
A mesma banda que está por aí num comercial de bebida, que termina com o indefectível: "Beba com moderação", em seus shows e DVDs sugere que se beba até cair, que se pare num cabaré, cheio de mé, e se encha um caminhão de rapariga. Aí é, como diz o personagem de No coração das trevas, de Joseph Conrad: "O horror, o horror!
Um abraço para todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

