quarta-feira, outubro 13, 2004

O Poetinha

Agora eu tenho quatro blogs que vou indicar, além dos dois que já são conhecidos de vocês, o da Lu e o do meu amigo André Mussalém, de hoje em diante tem os dois blogs da Bia:

http://www.lubarbosa.blogger.com.br/
http://furiadomar.blogspot.com/
http://www.noites_de_castana.blogger.com.br/
http://www.cine-fila.blogger.com.br/

E foi olhando este terceiro blog acima que me inspirei para homenagear o grande poetinha:

Vinicius de Moraes

Ele é um dos grandes nomes da literatura e da MPB, que teve grande parceiros e essa homenagem não precisa de falar muito, entrem no site oficial clicando no titulo do post que vocês vão ver que história fantástica...
Vou colocar seis músicas que são marcantes para todos os brasileiros e as duas últimas tem haver muito com Pernambuco, a quinta é uma parceria com o grande Capiba e a última foi composta aqui em Recife:

Regra Três
(Vinicius de Moraes / Toquinho)
Tantas você fez que ela cansou

Porque você, rapaz
Abusou da regra três
Onde menos vale mais
Da primeira vez ela chorou
Mas resolveu ficar
É que os momentos felizes
Tinham deixado raízes no seu penar
Depois perdeu a esperança
Porque o perdão também cansa de perdoar
Tem sempre o dia em que a casa cai
Pois vai curtir seu deserto, vai.
Mas deixe a lâmpada acesa
Se algum dia a tristeza quiser entrar
E uma bebida por perto
Porque você pode estar certo que vai chorar

Gente Humilde
(Vinicius de Moraes / Chico Buarque / Garoto)
Tem certos dias em que eu penso em minha gente

E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar
Igual a como quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem vindo de trem de algum lugar
E aí me dá uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com que contar
São casas simples, com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda, flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio peço a Deus por minha gente
É gente humilde, que vontade de chorar

Eu Sei Que Vou Te Amar
(Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim)
Eu sei que vou te amar

Por toda a minha vida, eu vou te amar
Em cada despedida, eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua, eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta tua ausência me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

Eu Não Existo Sem Você
Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim

Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você

Soneto de Fidelidade
(Vinicius de Moraes / Capiba)
De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

O Filho Que Eu Quero Ter
(Vinicius de Moraes / Toquinho)
É comum a gente sonhar, eu sei

Quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar
Com o pranto a me correr
E assim, chorando, acalentar
O filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho
Dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem
De repente o vejo se transformar
Num menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde vim
Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim
Dorme, menino levado
Dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem
Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar
No derradeiro beijo seu
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar
Num acalanto de adeus
Dorme, meu pai, sem cuidado
Dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter

Um abraço para todos:

Beto L. Carvalho
Carpe Diem

terça-feira, outubro 12, 2004

A Literatura Está Triste

Vale a pena visitar esses blogs:

http://www.lubarbosa.blogger.com.br/
http://furiadomar.blogspot.com/

Infelizmente hoje eu vou ter que homenagear um grande escritor que nos deixou ontem:

Fernando Sabino

Esse mineiro que estaria completando 81 anos hoje, faleceu depois de luta inglória contra um câncer...
Eu lembro que li, há muito tempo atrás o mais famoso livro dele:

Encontro Marcado

Confesso que não lembro do livro, mas eu recordo que foi importante para mim na vontade de querer ser escritor...
Eu não vou me alongar muito e quem tiver interesse em conhecer a carreira deste representante da maravilhosa literatura brasileira é só clicar no titulo...
Hoje eu vou colocar duas crônicas dele:

O Homem Nu
Fernando Sabino

Ao acordar, disse para a mulher:
-- Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.
-- Explique isso ao homem -- ponderou a mulher.
-- Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar -- amanhã eu pago.
Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.
Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:
-- Maria! Abre aí, Maria. Sou eu -- chamou, em voz baixa.
Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.
Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão!
Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:
-- Maria, por favor! Sou eu!
Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão.
Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.
-- Ah, isso é que não! -- fez o homem nu, sobressaltado.
E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!
-- Isso é que não -- repetiu, furioso.
Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.
-- Maria! Abre esta porta! -- gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si.
Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:
-- Bom dia, minha senhora -- disse ele, confuso. -- Imagine que eu...
A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:
-- Valha-me Deus! O padeiro está nu!
E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:
-- Tem um homem pelado aqui na porta!
Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:
-- É um tarado!
-- Olha, que horror!
-- Não olha não! Já pra dentro, minha filha!
Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.
-- Deve ser a polícia -- disse ele, ainda ofegante, indo abrir.
Não era: era o cobrador da televisão.


Mulher de Matar
Fernando Sabino

Olhou distraidamente para o relógio e deu um pulo na cadeira: Ih, cacilda, quatro e meia da manhã! Mais um pouco e encontraria a mulher acordada.
Enquanto a noite durasse, nada a temer. Mas não podia se deixar se apanhar na rua quando a claridade do céu começava a anunciar o novo dia. A partir de então a mulher acordava a qualquer barulhinho. Houve um dia, por exemplo, em que mal havia tirado a roupa, ouviu a voz dela lá na cama, você vai sair a esta hora? Não teve remédio senão dizer que sim, tinha de estar bem cedo no escritório. E tornou a sair, foi mesmo para o escritório, dormir no sofá da sala de espera o restinho da manhã.
-- Gente, eu tenho de me mandar.
Chamou o garçom, pagou sua conta, despediu-se dos amigos que, já bêbados, nem deram por sua partida. Meio bebido, ele próprio, na rua firmou-se sobre as pernas e fez sinal para um táxi que passava.
Alguém mais se adiantou e acenou para o mesmo táxi. Era uma mulher que também acabava de sair da boate.
Pronto, pensou rápido: se perco este táxi, lá vai minha última chance de chegar ainda de noite.
Quando o táxi parou, fingiu que não via a mulher e avançou para abrir a porta. Ela também avançou, tocou-lhe o braço:
-- Por favor, estou com pressa!
A voz, aflita, era educada e insinuante. Então ele reparou que era uma mulher bonita. Ainda assim resistiu: pediu-lhe também de maneira educada que o desculpasse, mas sua pressa era maior. A menos que seguissem juntos no táxi, e ele a deixaria no caminho, se é que iam para o mesmo lado. Vacilaram ambos:
-- Se não se incomoda...
-- Incômodo nenhum.
-- Bem, nesse caso...
Estavam nisso quando surgiu um grandalhão, de terno xadrez e segurou a mulher pelo braço. Ignorou a presença dele e falou com a voz carregada:
-- Eu agorra te matarr.
Notou que o homem tinha à ilharga algo avolumado sob o paletó, só podia ser revolver. E a manopla já avançando para sacá-lo.
-- Não faça isso! -- gritou, com a mão espalmada no ar, como um guarda de trânsito: -- O senhor não pode fazer uma coisa dessas!
-- O homem se voltou, como se o visse só então:
-- Não poderr porr quê? Quem é senhorr?
Agora era distrair o gringo e tomar o táxi:
-- Tenho mulher e filhos em casa me esperando, e o senhor quer me envolver num crime?
-- Sernhor não saberr que esta mulherr fazerr comigo.
-- Seja o que for, não vá matá-la, pelo menos na minha vista.
Mesmo que fosse embora, estaria envolvido: o chofer do táxi seria testemunha. E a mulher não tinha a menor reação, ia morrer sem um pio. O jeito era ficar:
-- Do you speak English?
-- Eu serr alemon.
-- Neste caso vai em português mesmo. Vamos tomar um drinque.
Dispensou o táxi e conduziu ambos pelo braço de volta à boate.
Era dia claro quando se viu noutro táxi, em companhia da mulher e do alemão, reconciliados graças à sua intervenção. A idéia era deixá-la primeiro, para evitar que o homem, sozinho com ela, tivesse novo ímpeto homicida.
Quando ela saltou, o alemão quis descer também, foi um custo contê-lo:
-- Você prometeu, Fritz.
Ela se foi, sã e salva, e os dois seguiram viagem. Ele convidou o alemão para tomar o café da manhã em sua casa -- única maneira de sua mulher acreditar naquela história:
-- Quero que você conheça minha mulher. Esta sim, é de matar.


Para não fugir ao espirito do blog, eita que ele vai ficar grande hoje, vou colocar duas músicas que fizeram sucesso com a filha dele, Verônica Sabino, a segunda teve a participação de Emilio Santiago e por coincidência são duas versões:

Demais (Yes, it is)
(Paul McCartney /John Lennon/ Miguel Paiva )

Foi um vento que passou
Que te trouxe e te levou
Deixando no corpo a marca do amor
Que ficou no ar ilusão luar
A chuva que esse vento trás
Faz com que eu me lembre mais
De todos os sonhos que a gente sonhou
Planejou demais demais
Bem que eu podia tentar te encontrar
Mas um vento forte que me afastou,

Te levou te escondeu longe demais
A chuva que esse vento trás
Faz com que eu me lembre mais
De todos os sonhos que a gente sonhou
Planejou demais demais
E cada vento que soprar
Pode te fazer voltar
Encher o vazio que ficou no ar
Me marcou demais
Me marcou demais
Me marcou demais


Tudo o Que Se Quer ( All I Ask of You)
(Andrew Lloyd Webber/Hart/Stilgoe/Nelson Motta)
Olha nos meus olhos
Esquece o que passou
Aqui neste momento

Silêncio e sentimento
Sou o teu poeta

Eu sou o teu cantor
Teu rei e teu escravo

Teu rio e tua estrada
Vem comigo meu amado amigo

Nessa noite clara de verão
Seja sempre o meu melhor presente
Seja tudo sempre como ‚
É tudo que se querLeve como o vento
Quente como o solEm paz na claridade
Sem medo e sem saudade
Livre como um sonho
Alegre coma a luz
Desejo e fantasia
Em plena harmonia
Eu sou o teu homem
Sou teu pai, teu filho
Sou aquele que te tem amor
Sou teu par, o teu melhor amigo
Vou contigo seja onde for
E onde estiver, estou
Vem comigo meu amado,
meu amigo
Sou teu barco, neste mar de amor
Sou a vela que te leva longe
Da tristeza
Eu sei, eu vou
E onde estiver estou
E onde estiver estou.


Um abraço:

Beto L. Carvalho
Carpe Diem

segunda-feira, outubro 11, 2004

Uma Mulher que é do Norte

Os blogs que eu curto:

http://www.lubarbosa.blogger.com.br/
http://furiadomar.blogspot.com/

Hoje eu vou falar de uma cantora que escutei a algum tempo atrás e agora escuto direto:

Eliana Printes

Essa amazonense tem uma das mais belas vozes da atual MPB, e infelizmente é uma das qua a mídia não se interessa...
Vocês precisam conhecer o trabalho dela e para isso cliquem no titulo que irá para um blog que é um site oficial...
As músicas que escolhi são quatro que estão no terceiro e quarto discos da sua carreira e a mais desconhecida é a primeira:

Coca-Colas e Iguarias
(Valdo Aderaldo)
Tenho vivido dias entre dias e mais dias

Em que o sol não quer se pôr não há fadiga
Grito aos inimigos em que dia mês e hora
O meu amor sai de visitas chuta as solidões
E diz amémEu ouço anjos que anunciam, Coca Colas e iguarias
Quem vê o banquete não sabe o que tem
Por esses dias saio dessa trilha
E faço a barca andar nesse oceano
Vou para as Índias noutro elefante
Traficar o que se quer especiarias
Eu faço fé e compras num mercado de ilusões
Eu ouço anjos que anunciam Coca Colas e iguarias
Quem vê o banquete não sabe o que tem

Quase Não Dá Pra Ser Feliz
(Dalto e Cláudio Rabelo)
Quanto mais te chamo você não vem

Será que ainda dorme comigo? Será que ainda sonha?
Posso, mas não topo mais ficar sozinho
Me encontro no fim do caminho te encontro no fim
Largo tudo se você chegar agora o amor tá em cima da hora
O seu amor ou o meu? Não dá
Logo depois de amar as lágrimas rolam e ninguém me diz
Não dá posso te esperar, ou não
Mas quase não dá para ser feliz

Só Vou Gostar de Quem Gosta de Mim
(Rossini Pinto)
De hoje em diante vou modificar

O meu modo de vida
Naquele instante que você partiu
Destruiu nosso amor
Agora não vou mais chorar
Cansei de esperar, de esperar enfim
E pra começar eu só vou gostar
De quem gosta de mim
Não quero com isso dizer que o amor
Não é bom sentimento
A vida é tão bela quando a gente ama
Tem um amor
Por isso é que eu vou mudar
Não quero ficar
Chorando até o fim
E pra não chorar
Eu só vou gostar de quem gosta de mim
Não vai ser fácil, eu bem sei
Eu já procurei, não encontrei meu bem
A vida é assim, eu falo por mim
Pois eu vivo sem ninguém

Sobre o Tempo
(Thedy Corrêa)
Os homens trocam as famílias

As filhas, filhas de suas filhas
E tudo aquilo que não podem entender
Os homens criam os seus filhos
Verdadeiros ou adotivos
Criam coisas que não deviam conceber
O tempo passa e nem tudo fica
A obra inteira de uma vida
O que se move e o que nunca vai se mover
O passado está escrito
Nas colunas de um edifício ou na geleira
Onde um mamute foi morrer
O tempo engana aqueles que pensam
Que sabem demais
Que juram que pensam
Existem também aqueles
Que juram sem saber
O tempo passa e nem tudo fica
A obra inteira de uma vida
O que se move e o que nunca vai se mover

Um abraço para todos:

Beto L. Carvalho
Carpe Diem

domingo, outubro 10, 2004

Haloscan commenting and trackback have been added to this blog.

Uma Amiga Especial

Esse são os blogs que eu visito todo dia, entrem também:

http://www.lubarbosa.blogger.com.br/
http://furiadomar.blogspot.com/

Hoje vou pedir licença para vocês, pois gostaria de homenagear uma grande amiga, que é uma pessoa muito especial e, que é a Cris Pessoa, uma artesã por hobby, mas que está fazendo um trabalho com imãs de geladeira muito interessante e também bolsas muito legais...
Quem quiser conferir à partir das 14:00 e até as 22:00 desse domingo 10/10, ela está com um stand no:

Mercado Brasilis
Armazém 12 Marco Zero Recife Antigo
R$ 1,00 é isso mesmo R$1,00

Minha amiga esse post de hoje é para você e eu vou fazer direfente, antes das músicas eu vou colocar umas frases de efeito que achei super legais:

"Que nem eu, só tem eu"
"Um corpo em repouso, tende a ficar em repouso"
"Dívida para mim é sagrada: Deus lhe pague"
"Lixo: Coisas que jogamos fora; Coisas: Lixo que guardamos"

Agora vem as músicas e como não poderia deixar de ser, são músicas escolhidas por essa minha pequena grande amiga Cris, ressaltando que a primeira é na nova versão com Adriana Calcanhoto:

Fico Assim Sem Você
(Cacá Moraes / Abdullah)
Avião sem asa fogueira sem brasa sou eu assim sem você
Futebol sem bola Piu-piu sem Frajola sou eu assim sem você
Porque que é que tem que ser assim? Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero todo instante nem mil auto-falantes vão poder falar por mim
Amor sem beijinho Buchecha sem Claudinho sou eu assim sem você
Circo sem palhaço namoro sem amasso sou eu assim sem você
Tô louca pra te ver chegar tô louca pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço retomar o pedaço que falta no meu coração
Eu não existo longe de você e a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver, mas o relógio tá de mal comigo
Por quê? Por quê?
Neném sem chupeta romeu sem Julieta sou eu assim sem você
Carro sem estrada queijo sem goiabada sou eu assim sem você
Porque que é que tem que ser assim? Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante nem mil auto-falantes vão poder falar por mim
Eu não existo longe de você e a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver, mas o relógio tá de mal comigo

Estrela
(Gilberto Gil)
Há de surgir uma estrela no céu
Cada vez que ocê sorrir
Há de apagar uma estrela no céu
Cada vez que ocê chorar
O contrário também bem que pode acontecer
De uma estrela brilhar quando a lágrima cair
Ou então
De uma estrela cadente se jogar
Só pra ver a flor do seu sorriso se abrir
Hum!

Deus fará absurdos
Contanto que a vida seja assim
Sim, um altar
Onde a gente celebre tudo o que Ele consentir


Sapato Velho.
(Mú/ Paulinho Tapajós)
Você lembra, lembra, naquele tempo eu tinha
Estrela nos olhos e um jeito de herói
Era mais forte e veloz, que qualquer mocinho de cowboy
Você lembra, lembra, eu costumava
Andar bem mais de mil léguas pra poder buscar
Flores de maio azuis e os seus cabelos enfeitar
Água da fonte cansei de beber pra não envelhecer
Como quisesse roubar da manhã um lindo pôr do sol
Hoje não colho mais as flores de maio nem sou mais veloz
Como os heróis, é talvez eu seja simplesmente
Como um sapato velho, mas ainda sirvo se você quiser
Basta você me calçar, que eu aqueço o frio dos seus pés

Velha Infância
(Arnaldo Antunes/ Marisa Monte/Carlinhos Brown/ Pedro Baby / Davi Moraes)
Você é assim um sonho pra mim e quando eu não te vejo

Eu penso em você desde o amanhecer até quando eu me deito
Eu gosto de você e gosto de ficar com você meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor
E a gente canta e a gente dança e a gente não se cansa
De ser criança da gente brincar da nossa velha infância
Seus olhos meu clarão me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho Eu sigo e nunca me sinto só
Você é assim um sonho pra mim quero te encher de beijos
Eu penso em você desde o amanhecer até quando eu me deito
Eu gosto de você e gosto de ficar com você meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor
E a gente canta e a gente dança e a gente não se cansa
De ser criança da gente brincar da nossa velha infância

Abraço para todos e um grande beijo para Cris:

Beto L. Carvalho
Carpe Diem

sábado, outubro 09, 2004

Juntaram e deram Certo

Vão acessando esses blogs, são muito legais:

http://www.lubarbosa.blogger.com.br/
http://furiadomar.blogspot.com/

Hoje eu vou falar de um disco que está sendo considerado um dos melhores do ano:

Vagabundo
Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede

É um disco muito bom, juntanto todo o talento desse que é um dos maiores cantores do Brasil com a juventude e a brasilidade dos jovens dessa banda que tem um trabalho muito interessante...
Já tinha escutado vários comentários positivos sobre o disco e quando tive oportunidade de ouvir, pude comprovar que realmente vale a pena ter essa preciosidade...
O site para que vocês conheçam mais de Ney, para entrar é só clicar no titulo e para visitar o de Pedro e a Parede, no link abaixo:

http://www.plap.com.br/

As músicas de hoje começam com a primeira que Ney gravou de Pedro Luís no ano de 99, e as outras três pertecem ao citado disco e o detalhe é qu e a última já foi postada aqui com outra gravação:

Miséria no Japão
(Pedro Luis)
Somos tios da pobreza social
Somos todos pára-brisas do futuro nacional
Eu sou tio, ela é tia
O pavio tá aceso, aqui é quente
País é quente
O mundo é quente
E quem te disse que miséria é só aqui
Quem foi que disse que a miséria não ri
Quem tá pensando que não se chora miséria no Japão
Quem tá falando que não existem tesouros na favela
A vida é bela tá tudo estranho
É tudo caro mundo é tamanho
Não tem medida o amor em certos casos
O ódio atinge generais soldados rasos

Disritmia
(Martinho da Vila)
Eu quero me esconder debaixo dessa sua saia pra fugir do mundo
Pretendo também me embrenhar no emaranhado desses seus cabelos
Preciso transfundir seu sangue pro meu coração que é tão vagabundo
Me deixa te trazer num dengo
Pra num cafuné fazer os meus apelos
Eu quero ser exorcizado pela água benta desse olhar infindo
Que bom ser fotografado mas pelas retinas desses olhos lindos
Me deixe hipnotizado pra acabar de vez com essa disritmia
Vem logo vem curar seu nego que chegou de porre lá da boemia

Assim Assado
(João Ricardo)
São duas horas da madrugada de um dia assim
Um velho anda de terno velho assim, assim
Quando aparece o Guarda Belo
Quando aparece o Guarda Belo
É posto em cena, fazendo cena num treco assim
Bem apontado ao nariz chato assim, assim
Quando aparece a cor do velho
Quando aparece a cor do velho
Mas Guarda Belo não acredita na cor assim
Ele decide no terno velho assim, assim
Porque ele quer um velho assado
Pporque ele quer um velho assado
Mas mesmo assim, o velho morre assim, assim
E o Guarda Belo é o herói assim assado
Porque é preciso ser assim assado
Porque é preciso ser assim assado
São duas horas da madrugada de um dia assim
Um velho anda de terno velho assim, assim
Quando aparece o Guarda Belo
Quando aparece a cor do velho
Porque ele quer um velho assado
Porque é preciso ser assim assado

O Mundo
(André Abumjanra)
O mundo é pequeno pra caramba
Tem alemão, italiano e italiana
O mundo filé milanesa
Tem coreano, japonês e japonesa
O mundo é uma salada russa
Tem nego da Pérsia, tem nego da Prússia
O mundo é uma esfiha de carne
Tem nego do Zâmbia, tem nego do Zaire
O mundo é azul lá de cima
O mundo é vermelho na China
O mundo tá muito gripado
O açúcar é doce, o sal é salgado
O mundo caquinho de vidro
Tá cego do olho, tá surdo do ouvido
O mundo tá muito doente
O homem que mata, o homem que mente
Por que você me trata mal
Se eu te trato bem
Por que você me faz o mal
Se eu só te faço o bem
Todos somos filhos de Deus
Só não falamos as mesmas línguas
Todos somos filhos de Deus
Só não falamos as mesmas línguas
Everybody is filhos de God
Só não falamos as mesmas línguas
Everybody is filhos de Ghandi
Só não falamos as mesmas línguas

Um abraço para todos:

Beto L. Carvalho
Carpe Diem

sexta-feira, outubro 08, 2004

Os Caras Irados!

Esses são os dois blogs que eu indico:

http://www.lubarbosa.blogger.com.br/
http://furiadomar.blogspot.com/

Continuando no rock, hoje o dia é de uma banda que começou no boom dos anos 80 e até hoje mantém sua formação original:

IRA!

Esses paulistas provaram que o rock dos anos 80 ainda hoje faz sucesso com os filhos da geração coca cola...
Eu sou fã dos caras, acho que uma banda que consegue se manter fiel ao seu estilo durante esse tempo todo merece o maior destaque...
Clicando no titulo vocês irão entrar no site oficial, visitem que é muito legal...
Escolhi as quatro primeiras músicas de sucesso da banda:

Núcleo-Base
( Edgard Scandurra)
Meu amor eu sinto muito, muito, muito, mais vou indo

Pois é tarde, muito tarde e preciso ir embora
Sinto muito meu amor mas acho que já vou andando
Amanhã acordo cedo e preciso ir embora
Eu queria ter você mas acho que já vou andando
Outro dia pode ser mas não vai dar pra ser agora la lala lalalala
Eu tentei fugir não queria me alistar
Eu quero lutar mas não com essa farda
Eu tentei fugir não queria me alistar
Eu quero lutar mas não com essa farda
E já esta ficando tarde e eu estou muito cansado
Minha mente está tão cheia e estou me transbordando
Você pensa que sou louco mas estou só delirando
Você pensa que sou tolo mas estou só te olhando la lala lalalala
Eu tentei fugir não queria me alistar
Eu quero lutar mas não com essa farda
Eu tentei fugir não queria me alistar
Eu quero lutar mas não com essa farda
Mas não com essa farda.
Mas não com essa farda, mas não

Envelheço na Cidade
(Edgard Scandurra)
Mais um ano que se passa, mais um ano sem você

Já não tenho a mesma idade, envelheço na cidade
Essa vida é jogo rápido para mim ou prá você
Mais um ano que se passa e eu não sei o que fazer!
Juventude se abraça, se une pra esquecer
Um feliz aniversário para mim ou prá você...
Feliz aniversário - envelheço na cidade
Feliz aniversário - envelheço na cidade
Feliz aniversário - envelheço na cidade
Feliz aniversário
Meus amigos minha rua, as garotas da minha rua,
Não os sinto, não os tenho... mais um ano sem você!
As garotas desfilando, os rapazes a beber
Já não tenho a mesma idade, não pertenço a ninguém
Juventude se abraça, se une pra esquecer
Um feliz aniversário para mim ou prá você...
Feliz aniversário - envelheço na cidade
Feliz aniversário - envelheço na cidade
Feliz aniversário - envelheço na cidade

Flores em Você
(Edgard Scandurra)
De todo o meu passado boas e más recordações

Quero viver meu presente e lembrar tudo depois
Nessa vida passageira eu sou eu, você é você
Isso é o que mais me agrada isso é o que me faz dizer
Que vejo flores em você
De todo o meu passado boas e más recordações
Quero viver meu presente e lembrar tudo depois
Nessa vida passageira eu sou eu, você é você
Isso é o que mais me agrada isso é o que me faz dizer
Que vejo flores em você que vejo flores em você

Tarde Vazia
(Edgard Scandurra)
Pela janela vejo fumaça, vejo pessoas

Na rua os carros, no céu o sol e a chuva
O telefone tocou, na mente fantasia
Você me ligou naquela tarde vazia e me valeu o dia
Você me ligou naquela tarde vazia e me valeu o dia
Pela janela vejo fumaça, vejo pessoas
Na rua os carros, no céu o sol e a chuva
O telefone tocou na mente fantasia
Você me ligou naquela tarde vazia, na mente fantasia
Você me ligou naquela tarde vazia, na mente fantasia
Você me ligou naquela tarde vazia e me valeu o dia
Valeu o dia, Valeu o dia
Você me ligou naquela tarde vazia, na mente fantasia
Na mente fantasia, na mente fantasia
Podia ter muitas garotas mas você é diferente
Você me ligou naquela tarde vazia e me valeu o dia
Valeu o dia, valeu o dia

Um abraço para todos:

Beto L. Carvalho
Carpe Diem

quinta-feira, outubro 07, 2004

Os Caras Valentes

Agora são dois blogs que indico para vocês:

http://www.lubarbosa.blogger.com.br/
http://furiadomar.blogspot.com/

Hoje é dia de rock, e a homenagem vai para uma banda que tem uma carreira curta, mas é uma das maiores revelações dos últimos anos:

Los Hermanos

É uma banda que tem influências da música brasileira e que já foi gravada até na Inglaterra, com uma versão do seu primeiro grande sucesso e que teve nessa gravação um guitarrista pouco famoso:

George Harrison

Essa foi uma das últimas gravações do ex Beatle, antes de falecer, eu só não lembro quem é o cantor que fez essa gravação...
As letras desse grupo estão conquistando até mesmo quem não curte rock, e quem quiser mais informações é só clicar no titulo que vai entrar no site oficial deles, ou então ainda tem esse blog que também é bem interessante sobre eles:

http://www.loshermanos.blogger.com.br/

As músicas de hoje vão ser explicadas uma a uma:

Essa é a primeira música que fez sucesso com eles, sei que eles não tocam mais ela, mas como já falei dela acima, não podia faltar:

Anna Julia
(Marcelo Camelo)
Quem te ver passar assim por mim não sabe o que é sofrer

Ter que ver você assim sempre tão linda
Contemplar o sol do teu olhar perder você no ar
Na certeza de um amor me achar
Um nada pois sem ter teu carinho eu me sinto sozinho
Eu me afogo em solidão
Oh Anna Julia Oh Anna Julia
Nunca acreditei na ilusão de ter você pra mim
Me atormenta a previsão do nosso destino
Eu passando o dia a te esperar você sem me notar
Quando tudo tiver fim, você vai estar com um cara
Um alguém sem carinho será sempre um espinho
Dentro do meu coração
Oh Anna Julia Oh Anna Julia
Sei que você não quer mais o meu amor
Sei que você já não gosta de mim
Eu sei que eu não sou quem você sempre sonhou
Mas vou reconquistar o seu amor todo pra mim
Oh Anna Julia, Oh Anna Julia, Oh Anna Julia, Julia, Julia

A segunda foi indicação do meu amigo baiano Bito na eleição e é do último disco deles:


O VENCEDOR
(Marcelo Camelo)
Olha lá quem vem do lado oposto e vem sem gosto de viver

Olha lá os que os bravos são escravos sãos e salvos de sofrer
Olha lá quem acha que perder é ser menor na vida
Olha lá quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor,

Levo a vida devagar pra não faltar amor
Olha você e diz que não vive a esconder o coração
Não faz isso, amigo

Já se sabe que você só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será ?
Eu que já não sou assim muito de ganhar junto às mãos ao meu redor

Faço o melhor que sou capaz só pra viver em paz.

Essa terceira não é deles e foi gravada para a trilha do filme "Lisbela e o Prisioneiro" de Guel Arraes:


LISBELA
(Caetano Veloso e José Almino)
Eu quero a sina do artista de cinema
Eu quero a cena onde eu possa brilhar
Um brilho intenso, um desejo,
Eu quero o beijo, um beijo imenso onde eu possa me afogar.
Eu quero ser o matador das cinco estrelas

Eu quero ser o Bruce Lee do Maranhão
A Patativa do Norte, eu quero a sorte
Eu quero a sorte do chofer de caminhão;
Pra me danar por essa estrada, mundo afora
Ir embora, sem sair do meu lugar.
Ser o primeiro, ser um rei, eu quero um sonho

Moça-donzela, mulher-dama, ilusão,
Na minha vida tudo vira brincadeira,
A matinê verdadeira, domingo e televisão.
Eu quero um beijo de cinema americano
Fechar os olhos, fugir do perigo
Matar bandido e prender ladrão.
A minha vida vai virar novela.
Eu quero amor eu quero amar

Eu quero o amor de Lisbela eu quero o mar e o sertão.

E a última foi gravada por Maria Rita e também foi indicada pelo baiano e na minha opinião a melhor música do ano passado:

Cara Valente
(Marcelo Camelo)
Não, ele não vai mais dobrar pode até se acostumar

Ele vai viver sozinho desaprendeu a dividir
Foi escolher o mal-me-quer entre o amor de uma mulher
E as certezas do caminho ele não pôde se entregar
E agora vai ter de pagar com o coração, olha lá
Ele não é feliz sempre diz
Que é do tipo cara valente, mas veja só
A gente sabe esse humor é coisa de um rapaz
Que sem ter proteção foi se esconder atrás da cara de vilão
Então, não faz assim rapaz não bota esse cartaz que a gente não cai, não
Ê! Ê! Ele não é de nada, Oi á !!! Essa cara amarrada

É só um jeito de viver na pior
Ê! Ê! Ele não é de nada Oi á !!! Essa cara amarrada
É só um jeito de viver nesse mundo de mágoas


Um abraço:

Beto L. Carvalho
Carpe Diem

quarta-feira, outubro 06, 2004

O Filho da Estrela

Esse blog é muito bom:
Volto a utilizar meu blog para homenagear um cantor que tem no sangue o talento:
Pedro Mariano
Filho de Elis Regina e Cesar Camargo Mariano, ele se destacou como sendo um dos grandes interpretes da nova geração...
Irmão do mais novo fenômeno da MPB, Maria Rita e do produtor musical João Marcelo Boscôlli ele já tem seu espaço e com certeza irá ainda mostrar muito mais para quem curte música de qualidade...
Maiores informações cliquem no titulo e vejam o site...
As músicas de hoje são dos quatros discos dele respectivamente:
Pro Dia Nascer Feliz
(Cazuza/ Frejat)
Todo dia a insônia me convence que o céu
Faz tudo ficar infinito
E que a solidão é pretensão de quem fica
Escondido fazendo fita
Todo dia tem a hora da sessão coruja
Só entende quem namora
Agora vam'bora
Estamos meu bem por um triz
Pro dia nascer feliz
Pro dia nascer feliz
O mundo inteiro acordar e a gente dormir
Pro dia nascer feliz
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar e a gente dormir
Todo dia é dia Tudo em nome do amor
Ah! Essa é a vida que eu quis
Procurando vaga Uma hora aqui, outra ali
No vai-e-vem do seus quadris
Nadando contra a corrente Só pra exercitar
Todos os músculos que sente
Me dê de presente o seu bis
Voz no Ouvido
(Jairzinho Oliveira)
Tava esperando um telefonema teu
Tava precisando de uma voz no ouvido
Tava imaginando teu olhar mirando o meu
Tava desejando um beijo em teu umbigo
Tá legal, falei o que não devia
Me de mal, amanheceu um novo dia,
Já esqueci, pensei em ti decidi:
Tô aqui esperando pra ver se você vem.
Deixa de lado essa tristeza.
Beija e acaba esse tormento
Deita nesse amor desarrumado
Chega de perder tanto tempo
Preciso Dizer Que Te Amo
(Cazuza/ Bebel/ Dé)
Quando a gente conversa
Contando casos besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo (que medo)
Eu preciso dizer que te amo tanto
Te ganhar ou perder sem engano
Que eu preciso dizer que eu te amo tanto
E até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero ser
Teu amigo, (quê amigo ?)
Que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Que eu preciso dizer que eu te amo tanto
Se eu quiser falar com Deus(Gilberto Gil)
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

Um abraço:

Beto L. Carvalho
Carpe Diem

terça-feira, outubro 05, 2004

Simples

Apesar de algumas pessoas não gostarem, esse blog é uma ótima opção para se visitar:

http://www.lubarbosa.blogger.com.br/

Eu estou cada vez mais convencido que as pessoas deveriam ter um pouco mais de respeito com quem faz um trabalho que é importante para algumas pessoas...
O mundo gira e acaba a gente se encontrando nas quebradas da vida...
Eu vou fazer uma homenagem simples a Chico Buarque, com quatro músicas dele que representam a força de suas composições e eu espero que todos aproveitem e cliquem no titulo e conheçam um pouco mais desse monstro sagrado da MPB, ai estão as músicas:

Gota d'água
Chico Buarque
Já lhe dei meu corpo, minha alegria
Já estanquei meu sangue quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água

Apesar de Você
(Chico Buarque)
Hoje você é quem manda, falou, tá falado, não tem discussão, não
A minha gente hoje anda falando de lado e olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado e inventou de inventar toda a escuridão
Você que inventou o pecado esqueceu-se de inventar o perdão
Apesar de você, amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você onde vai se esconder da enorme euforia
Como vai proibir quando o galo insistir em cantar
Água nova brotando e a gente se amando sem parar
Quando chegar o momento, esse meu sofrimento vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido, esse grito contido, esse samba no escuro
Você que inventou a tristeza, ora, tenha a fineza de desinventar
Você vai pagar e é dobrado cada lágrima rolada nesse meu penar
Apesar de você, amanhã há de ser outro dia
'Inda pago pra ver o jardim florescer qual você não queria
Você vai se amargar vendo o dia raiar sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir, que esse dia há de vir antes do que você pensa
Apesar de você
Apesar de você, amanhã há de ser outro dia
Você vai ter que ver a manhã renascer e esbanjar poesia
Como vai se explicar vendo o céu clarear de repente, impunemente
Como vai abafar nosso coro a cantar na sua frente
Apesar de você
Apesar de você, amanhã há de ser outro dia
Você vai se dar mal, et cetera e tal, laraia, laraia...


Roda Viva
(Chico Buarque)
Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva e carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante, roda moinho, roda pião

O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente até não poder resistir
Na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva e carrega a roseira pra lá
A roda da saia, a mulata, não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata, a roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa, viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda viva e carrega a viola pra lá
O samba, a viola, a roseira, um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva e carrega a saudade pra lá

Brejo da Cruz
(Chico Buarque)

A novidade que tem no brejo da cruz
É a criançadaSe alimentar de luz
Alucinados meninos ficando azuis
E desencarnando lá no brejo da cruz
Eletrizados cruzam os céus do Brasil
Na rodoviária assumem formas mil
Uns vendem fumo tem uns que viram Jesus
Muito sanfoneiro cego tocando Blues
Uns têm saudade e dançam maracatu
Uns atiram pedras outros passeiam nus
Mas há milhões desses seres que se disfarçam tão bem
E ninguém pergunta de onde essa gente vem
São jardineiros, guardas noturnos, casais
São passageiros, bombeiros e babás
Já nem se lembram que existe um brejo da cruz
Que eram crianças e que comiam luz
São faxineiros balançam nas construções
São bilheteiros, baleiros e garçons
Já nem se lembram que existe um brejo da cruz
Que eram crianças e que comiam luz


Um abraço:

Beto L. Carvalho
Carpe Diem

segunda-feira, outubro 04, 2004

As Vitórias do Povo

Visitem esse blog, vale a pena:

http://www.lubarbosa.blogger.com.br/

Hoje eu vou homenagear duas vitórias que ocorreram e que tiraram da minha garganta uma coisa que estava engasgada durante meses:

João Paulo Prefeito do Recife
Luciana Santos Prefeita de Olinda

O que estava me incomando era o fato de pessoas preferirem divulgar a cultura de outros estados em detrimento a sua própria cultura que já é desprezada pela mídia...
Nada contra as outras culturas, mas precisamos consolidar a nossa para que o povo sinta orgulho dela...
Eu escolhi duas músicas que representam a cultura pernambucana, a primeira é um frevo que estava sendo tocado na chegada do nosso Prefeito ao Marco Zero e a segunda representa a cultura de Olinda, um maracatu que é um clássico:

Madeira Que Cupim Não Roi
(Capiba)
Madeira do Rosarinho
Vem a cidade sua fama mostrar
E traz com seu pessoal
Seu estandarte tão original
Não vem prá fazer barulho
Vem só dizer, e com satisfação
Queiram ou não queiram os juizes
O nosso bloco é de fato campeão
E se aqui estamos,
Cantando esta canção
Viemos defender
A nossa tradição
E dizer bem alto que a injustiça dói
Nós somos Madeira, de lei,
Que cupim não rói



Mateus Embaixador
(Antônio Nóbrega)
Mateus embaixador, estrela alva do dia,

Que sonho é esse? que sina é essa?
Meu povo, meus senhores,
Aqui estou no meu destino,
Estou no meu desatino,
vim brincar neste lugar.
Sou o Mateus presepeiro
Sou canção, sou o João Grilo,
Eu sou o Benedito,Tira-teima e o Tiridá.
Minha volta é essa, sou ligeiro,
Pedra-lispe, também sou onça-tigre,
Minha dança é de invocar.
Minha roupa é de chita
É meu lírio, é o meu gibão.
É a rabeca na mão
É o azougue, é o meu punhal.

Um abraço para todos:

Beto L. Carvalho
Carpe Diem

domingo, outubro 03, 2004

Cinema Nacional dos anos 80

Eita pernambucana arretada, visitem o blog dela:

http://www.lubarbosa.blogger.com.br/

Eu vou falar de um filme bem antigo, mas que acho interessante:

Para Viver um Grande Amor

Ele é baseado na obra "Pobre Menina Rica" de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra que foi adaptado para o cinema por Miguel Faria Jr e tem umas histórias curiosas...
O casal principal do filme é formado por Djavan e Patricia Pillar, e é aquele velho clichê de uma menina rica que se apaixona por um rapaz pobre...
Um destaque do filme é a participação do filme de Elba Ramalho, como uma nordestina arretada...
O filme foi de 83 e tem no elenco atores como Nelson Xavier que está brilhante...
A história gira em torno de um grupo de pessoas pobres invadem um prédio abandonado no Rio de Janeiro.
A trilha sonora é fantástica, pois é feita por Chico Buarque, em parceria com Tom Jobim, na sua maioria e com Djavan também...
Escolhi quatro músicas desta trilha, pois é um dos melhores discos que eu já escutei:

A Violeira
(Tom Jobim - Chico Buarque)
Desde menina caprichosa e nordestina
Que eu sabia, a minha sina era no Rio vir morar
Em Araripe topei com o chofer dum jipe
Que descia pra Sergipe pro Serviço Militar
Esse maluco me largou em Pernambuco
Quando um cara de trabuco me pediu pra namorar
Mais adiante num estado interessante
Um caixeiro viajante me levou pra Macapá
Uma cigana revelou que a minha sorte
Era ficar naquele Norte e eu não queria acreditar
Juntei os trapos com um velho marinheiro
Viajei no seu cargueiro que encalhou no Ceará
Voltei pro Crato e fui fazer artesanato
De barro bom e barato pra mó de economizar
Eu era um broto e também fiz muito garoto
Um mais bem feito que o outro eles só faltam falar
Juntei a prole e me atirei no São Francisco
Enfrentei raio, corisco correnteza e coisa-má
Inda arrumei com um artista em Pirapora
Mais um filho e vim-me embora cá no Rio vim parar
Ver Ipanema foi que nem beber jurema
Que cenário de cinema que poema à beira-mar
E não tem tira nem doutor, nem ziguizira
Quero ver quem é que tira nós aqui desse lugar
Será verdade que eu cheguei nessa cidade
Pra primeira autoridade resolver me escorraçar
Com a tralha inteira remontar a Mantiqueira
Até chegar na corredeira o São Francisco me levar
Me distrair nos braços de um barqueiro sonso
Despencar na Paulo Afonso no oceano me afogar
Perder os filhos em Fernando de Noronha
E voltar morta de vergonha pro sertão de Quixadá
Tem cabimento depois de tanto tormento
Me casar com algum sargento e todo sonho desmanchar
Não tem carranca nem trator, nem alavanca
Quero ver quem é que arranca nós aqui desse lugar


Tanta saudade
(Djavan / Chico Buarque)
Era tanta saudade é, pra matar
Eu fiquei até doente eu fiquei até doente, menina
Se eu não mato a saudade é, deixa estar
Saudade mata a gente saudade mata a gente, menina
Quis saber o que é o desejo de onde ele vem
Fui até o centro da terra e é mais além
Procurei uma saída o amor não tem
Estava ficando louco louco, louco de querer bem
Quis chegar até o limite de uma paixão
Baldear o oceano com a minha mão
Encontrar o sal da vida e a solidão
Esgotar o apetite todo o apetite do coração
Mas voltou a saudade é, pra ficar
Ai, eu encarei de frente ai, eu encarei de frente, menina
Se eu ficar na saudade é, deixa estar
Saudade engole a gente saudade engole a gente, menina
Ai, amor, miragem minha, minha linha do horizonte,
É monte atrás de monte, é monte, a fonte nunca mais que seca
Ai, saudade, inda sou moço, aquele poço não tem fundo,
É um mundo e dentroum mundo e dentro um mundo
E dentro é um mundo que me leva


Meninos, Eu Vi
(Tom Jobim / Chico Buarque)
Um grande amor para viver um grande amor
Eu vi o grande amor no claro olhar da minha amada, eu vi
Que todo grande amor ainda é pouco, ainda é nada, eu vi
Amores que jamais verei meninos, eu vivi vivendo a poesia de verdade
Também vi a cidade incendiada, eu tive medo
Eu vi a escuridão eu vi o que não quis
Amei mais do que pude, eu fiquei cego de paixão
E acho que enfim eu vi um homem ser feliz
Juro que um dia eu vi um homem ser feliz
Eu vi o grande amor escancarado em cada cara, eu vi
O amor evaporando pelos céus da Guanabara
Amores de imortal verão meninas, como eu vi vivendo a poesia de verdade
Eu vi uma cidade enfeitiçada, e tive medo
Eu vi um coração molhando o meu país
Amei mais do que pude, eu fiquei cego de paixão
E acho que enfim eu vi o homem ser feliz
Juro que um dia eu vi o homem ser feliz

Samba do Grande Amor
(Chico Buarque)

Tinha cá pra mim que agora sim eu vivia enfim o grande amor
Mentira
Me atirei assim de trampolim, fui até o fim um amador
Passava um verão a água e pão, dava o meu quinhão pro grande amor
Mentira
Eu botava a mão no fogo então com meu coração de fiador
Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira
Fui muito fiel, comprei anel, botei no papel o grande amor
Mentira
Reservei hotel, sarapatel e lua-de-mel em Salvador
Fui rezar na Sé pra São José que eu levava fé no grande amor
Mentira
Fiz promessa até pra Oxumaré de subir a pé o Redentor
Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira


Um abraço para ser feliz:

Beto L. Carvalho
Carpe Diem