quinta-feira, agosto 12, 2004

Grandes Músicas 3

Hoje tem mais duas concorrentes para a eleição da semana que vem da melhor música na opinião de vocês...
Uma delas é um verdadeiro clássico da música brasileira e tem duas gravações definitivas, uma com o autor Peninha e outra com Caetano Veloso e a outra é uma música dessa nova fase da MPB que eu descobri ouvindo Renato Braz e depois escutei com Consuelo de Paula e foi composta por Mário Gil e Paulo César Pinheiro e é uma letra forte, mas belíssima:

Sonhos
(Peninha)
Tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo
De repente eu me vi assim completamente seu
Vi a minha força amarrada no seu passo vi que sem você não há caminho
Eu nem me acho eu vi um grande amor gritar dentro de mim como eu sonhei um dia
Quando o meu mundo era mais mundo e todo mundo admitia
Uma mudança muito estranha mais pureza, mais carinho,
Mais calma, mais alegria no meu jeito de me dar
Quando a canção se fez mais forte, mais sentida quando a poesia fez folia em minha vida
Você veio me falar dessa paixão inesperada por outra pessoa
Mas não tem revolta, não
Eu só quero que você se encontre, ter saudade até que é bom
É melhor que caminhar vazio a esperança é um dom que eu tenho em mim
Não tem desespero, não você me ensinou milhões de coisas
Tenho um sonho em minhas mãos, amanhã será um novo dia
Certamente eu vou ser mais feliz

Anabela
(Mário Gil e Paulo César Pinheiro)
No porto de vila velha vi Anabela chegar

Olho de chama de vela, cabelo de velejar, pele de fruta cabocla com a boca de cambucá
Seios de agulha de bússola na trilha do meu olhar fui ancorando nela naquela ponta de mar
No pano do meu veleiro veio Anabela deitar vento eriçava o meu pelo
Queimava em mim seu olhar seu corpo de tempestade rodou meu corpo no ar
Com mãos de rodamoinho fez o meu barco afundar
Eu que pensei que fazia daquele ventre meu cais
Só percebi meu naufrágio quando era tarde demais
Vi Anabela partindo pra não voltar nunca mais

Por hoje é só, o meu abraço:

Beto L. Carvalho
bl_carvalho@yahoo.com.br
blcarvalho@pop.com.br

quarta-feira, agosto 11, 2004

Grandes Músicas 2

Continuando a apresentação das músicas que considero as mais interessantes da música brasileira, hoje eu vou apresentar dois grandes sucessos que vão ficar marcados para sempre na minha vida, e elas foram compostas por Chico Buarque e Milton Nascimento e Renato Teixeira, respectivamente:

Cálice
(Chico Buarque/ Milton Nascimento)
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice de vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito silêncio na cidade não se escuta
De que nem me vale ser filho da santa melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta tanta mentira, tanta força bruta
Como é difícil acordar calado se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa atordoado, eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento ver emergir o monstro da lagoa
De muito gorda a porca já não anda de muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo de que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca dos bêbados do centro da cidade
Talvez o mundo não seja pequeno nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel me embriagar até que alguém me esqueça

ROMARIA (Renato Teixeira)
É de sonho e de pó o destino de um só feito eu

Perdido em pensamentos sobre o meu cavalo é de laço e de nó
De gibeira e jiló dessa vida cumprida a sol
Sou caipira pira pora Nossa Senhora de Aparecida

Ilumina a mina escura e funda o trem da minha vida
Sou caipira pira pora Nossa senhora de Aparecida Ilumina a mina escura e funda o trem da minha vida
O meu pai foi peäo, minha mäe solidäo

Meus irmäos perderam-se na vida em busca de aventuras
Descansei, joguei, investi desisti se há sorte eu näo sei, nunca vi
Me disseram porém, que eu viesse aqui

Pra pedir de romaria e prece paz nos desaventos
Como eu näo sei rezar só queria mostrar meu olhar, meu olhar, meu olhar

Vão escolhendo a sua preferida que semana que vem tem eleição...

Um abraço fraterno:

Beto L. Carvalho
bl_carvalho@yahoo.com.br
blcarvalho@pop.com.br

terça-feira, agosto 10, 2004

Grandes Músicas

Começo hoje uma série sobre músicas que considero as mais belas da MPB e gostaria de fazer uma eleição com todos que frequentam o blog para saber qual a mais interessante...
Nesse primeiro dia eu começo com uma do Cazuza e uma dos Engenheiros do Hawaii que na minha época da adolescente eram as músicas da minha cabeceira:

Essa eu já coloquei no blog sobre o filme de Cazuza mas é uma música que vale a pena relembrar:

Codinome Beija-Flor
(Reinaldo Árias / Cazuza / Ezequiel Neves )
Pra que mentir fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor a emoção acabou
Que coincidência é o amor a nossa música nunca mais tocou
Pra que usar de tanta educação pra desfilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel devagarinho flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor
Que só eu que podia dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador
Você sonhava acordada um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor

A segunda tem um verso que para quem tem personalidade devem ter como frase da vida:

Somos Quem Podemos Ser
(Humberto Gessinger)
Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram que os ventos às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão(Uma estrela de brilho raro um disparo para um coração)
A vida imita o vídeo garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento um momento de embriaguez
"Somos quem podemos ser sonhos que podemos ter"
Um dia me disseram quem eram os donos da situação
Sem querer eles me deram as chaves que abrem esta prisão
E tudo ficou tão claro
O que era raro ficou comum(Como um dia depois do outro como um dia, um dia comum)
A vida imita o vídeo garotos inventam um novo inglês
Vivendo num país sedento um momento de embriaguez
"Somos quem podemos ser sonhos que podemos ter"
Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão
Sem querer eles me deram as chaves que abrem esta prisão
"Quem ocupa o trono tem culpa, quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa, quem evita a dúvida também tem"
"Somos quem podemos ser sonhos que podemos ter"

Então durante essa semana eu irei indicar as músicas e na próxima irei pedir para a votarem as melhor delas...

Um abraço:

Beto L. Carvalho
bl_carvalho@yahoo.com.br
blcarvalho@pop.com.br

segunda-feira, agosto 09, 2004

O Homem dos Menestréis

"Se fosse resolver iria te dizer foi minha agonia..."

É com esse verso da música "Agonia" que eu começo minha homenagem de hoje :

Oswaldo Montenegro

Ele é um compositor, cantor, diretor e tantas outras atividades...
Apareceu no inicio da década de 8o no festival MPB Shell num ano com esa música acima e no outro com outra que eu considero uma das mais belas letras da nossa música, "Bandolins" que vem mais abaixo encerrando a homenagem.
Eu gostaria de citar um disco que é uma obra prima, onde ele canta a obra de Chico Buarque no formato Voz e Violões e é chamado de "Seu Francisco", procurem que não vão se arrepender...

Maiores Informações:

http://www.oswaldomontenegro.com.br
http://www.omol.com.br/

Esse segundo link é para o site do fã clube e é muito legal também para se navegar...

E como falei acima ai vai a letra dessa música que é o grande clássico dele:

BANDOLINS
(Oswaldo Montenegro)
Como fosse um par que nessa valsa triste se desenvolvesse
Ao som dos bandolins e como não e por que não dizer
Que o mundo respirava mais se ela apertava assim
Seu colo e como se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo se rodopiando ao som dos bandolins
Como fosse um lar seu corpo a valsa triste
Iluminava e a noite caminhava assim
E como um par o vento e a madrugada iluminavam a fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança que entra na roda a noite está no fim,
E ela valsando só na madrugada se julgando amada ao som dos bandolins

Um abraço:

Beto L. Carvalho

domingo, agosto 08, 2004

O Pai Musical

Hoje é o dia dos pais e por isso eu escolhi um pai de uma familia musical para homenagear não só Seu Gerson, meu pai que admira ele, mas todos os pais:

Dorival Caymmi

Baiano pai de três filhos, Dori, Nana e Danilo que nos 90 anos de seu pai completados em abril lançaram um disco maravilhoso, só com músicas dele:

Para Caymmi, de Nana, Dori e Danilo

Este disco é uma das obras primas que ainda se faz aqui no Brasil...
Eu gostaria de terminar a homenagem com uma música que começou a ser composta aqui em Recife em 1941 e é uma declaração de amor a cultura pernambucana feita por um grande baiano:

Dora
(Dorival Caymmi)
Dora, rainha do frevo e do maracatu

Dora, rainha cafuza de um maracatu
Te conheci no Recife dos rios cortado de pontes
Dos bairros das fontes coloniais
Dora, chamei, ô Dora ô Dora
Eu vim à cidade pra ver meu bem passar
Ô Dora, agora no meu pensamento eu te vejo
Requebrando pra cá e hora pra lá
Meu bem os clarins da banda militar tocam para anunciar
Sua Dora agora vai passar venham ver o que é bom
Ô Dora, rainha do frevo e do maracatu
Ninguém requebra nem dança melhor do que tu
Ô, Dora, rainha do frevo e do maracatu
Ninguém requebra nem dança melhor do que tu
Ô Dora, ô Dora

Dora rainha do frevo e do maracatu
Dora, rainha cafuza de um maracatu do maracatu
Dora, rainha do maracatu...

Feliz Dia dos Pais para todos, principalmente para Seu Gerson

Um grande abraço:

Beto L. Carvalho

sábado, agosto 07, 2004

A Música que vem do Mangue

A cultura Pernambucana é muito rica e nós temos que nos orgulhar dela e com isso eu venho homenagear um dos ícones da nova geração:

Chico Science e Nação Zumbi

Banda surgida na década de 90 no auge do Movimento Mangue, que além deles tenha a mundo livre s/a que revolucionaram o regionalismo dando um toque de rock a esses elementos culturais com uma roupagem que fez até Paralamas do Sucesso abrir show para eles na Europa...
A banda sofreu um baque muito grande quando em 1997 seu vocalista Chico Science morreu num acidente de carro em Olinda nas vésperas do carnaval daquele ano, mas o resto da banda continuou só com o nome Nação Zumbi e hoje continua como uma das bandas mais respeitadas do cenário musical brasileiro...
A sua discografia é a seguinte:

Da Lama ao Caos 1994 Chaos/Sony Music
Afrociberdelia 1996 Chaos/Sony Music
CSNZ (duplo) 1997 Chaos / Sony Music
Rádio S.AMB.A 2000 YBrasil Music
Nação Zumbi 2002 Trama

Viva Chico Science, Zapatta e Sandino

Agora, um dos principais sucessos deles que já foi gravado também pelo Paralamas:

Manguetown
(Chico Science/ Lucio Maia / Dengue)


Estou enfiado na lama, é um bairro sujo
Onde os urubus têm casas e eu não tenho asas
Mas estou aqui em minha casa, onde os urubus têm asas
Vou pintando, segurando as paredes no mangue do meu quintal
Manguetown
Andando por entre os becos, andando em coletivos
Ninguém foge ao cheiro sujo da lama do Manguetown
Andando por entre os becos, andando em coletivos
Ninguém foge ao cheiro sujo da lama do Manguetown
Esta noite sairei,vou beber com meus amigos
E com asas que os urubus me derem ao dia
Eu voarei por toda a periferia
Vou sonhando com a mulher que talvez eu possa encontrar
Ela também vai andar na lama do meu quintal; Manguetown
Andando por entre os becos, andando em coletivos
Ninguém foge ao cheiro sujo da lama do Manguetown...
Fui no Mangue catar lixo pegar um caranguejo
Conversar com urubu

"Eu vim com a Nação Zumbi ao seu ouvido Falar..."

Saúdo todos com o meu abraço:

Beto L. Carvalho

sexta-feira, agosto 06, 2004

Calcanhotto ou Partimpim?

Estava numa loja de disco conversando com um amigo quando chegou para vender o novo disco da Adriana Calcanhotto e causou estranheza, pois o mesmo vinha com um nome diferente:

Adriana Partimpim

Alguns dias depois eu soube que era uma forma de fazer um trabalho diferenciado aos quais estavamos acostumados a escutar dela, ou seja, fazer um disco infantil que fosse para adultos...
Hoje eu queria fazer uma homenagem a essa gaúcha mostrando sua discografia que começa no inicio da década de 90 e segue até hoje com ela sendo uma das melhores cantoras dessa geração atual:

Enguiço 1990 Sony Music
Senhas 1992 Sony Music
A Fábrica do Poema 1994 Sony Music
Maritmo 1998 Sony Music
Público 2000 BMG
Público (DVD) 2000 BMG
Cantada 2002 BMG
Adriana Partimpim 2004 BMG

Maiores informações nos sites:

http://www.adrianacalcanhotto.com/
http://www.adrianapartimpim.com/

Entrem, pois é muito interessante a conversa que as duas Adrianas fazem no segundo site e para encerrar uma música desse último disco do Chico Buarque e Edu Lobo que expressa bem esse clima infanto-adulto...:

Ciranda da Bailarina
(Edu Lobo - Chico Buarque)
Procurando bem todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba só a bailarina que não tem
E não tem coceira berruga nem frieira

Nem falta de maneira ela não tem
Futucando bem todo mundo tem piolho ou tem cheiro de creolina

Todo mundo tem um irmão meio zarolho só a bailarina que não tem
Nem unha encardida nem dente com comida nem casca de ferida ela não tem
Não livra ninguém todo mundo tem remela

Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina ou tem febre amarela só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente

Medo de cair, gente
Medo de vertigem quem não tem
Confessando bem todo mundo faz pecado

Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha bigode de groselha

Calcinha um pouco velha ela não tem
O padre também pode até ficar vermelho se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho só a bailarina que não tem
Sala sem mobília goteira na vasilha problema na família quem não tem


Essa música também foi um tema de um trabalho meu da faculdade no semestre passado...

Um abraço:

Beto L. Carvalho
bl_carvalho@yahoo.com.br
blcarvalho@pop.com.br

quinta-feira, agosto 05, 2004

Saudade do Príncipe

Em 1990 a MPB perdia um dos grandes compositores da geração anos 70 e eu gostaria de fazer essa homenagem, já que fiz ao seu pai segunda feira:

Luiz Gonzaga Jr, o Gonzaguinha

Filho adotivo do Rei do Baião é autor de obras primas que eu faço questão de selecionar para vocês:

Sangrando, Começaria Tudo Outra Vez, Guerreiro Menino( Um Homem Também Chora), Ponto de Interrogação, O que é O que é, Espere por Mim Morena, Grito de Alerta, Explode Coração, É, E Vamos à Luta, Feliz, Lindo Lago do Amor, Mamão com Mel, Caminhos do Coração e tantas outras...

Maiores informações:

http://www.gonzaguinha.com.br/
http://gonzaguinha.technet.com.br/

Gostaria de encerrar com duas músicas que não são tão badaladas, mas que me marcaram muito e são duas belíssimas letras:

Semente do Amanhã (Nunca pare de sonhar)
(Gonzaguinha)

Ontem o menino que brincava me falou
Que hoje é semente do amanhã
Para não ter medo que esse tempo vai passar
Não se desespere
Nem pare de sonhar
Nunca se entregue
Nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida
Fé no homem
Fé no que virá
Nós podemos tudo
Nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será

Redescobrir
(Gonzaguinha)

Como se fora brincadeira de roda, memória
Jogo do trabalho na dança das mãos, macias
O suor dos corpos na canção da vida, história
O suor da vida no calor de irmãos, magia
Como um animal que sabe da floresta, perigosa
Redescobrir o sal que está na própria pele, macia
Redescobrir o doce no lamber das línguas, macias
Redescobrir o gosto e o sabor da festa, magia
Vai o bicho homem fruto da semente, memória
Renascer da própria força, própria luz e fé, memória
Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós, história
Somos a semente, ato, mente e voz, magia
Não tenha medo, meu menino bobo, memória
Tudo principia na própria pessoa, beleza
Vai como a criança que não teme o tempo, mistério
Amor se fazer é tão prazer que é como se fosse dor, magia
Como se fora brincadeira de roda, memória
Jogo do trabalho na dança das mãos, macias
O suor dos corpos na canção da vida, história
O suor da vida no calor de irmãos, magia

Minhas Saudações:

Beto L. Carvalho
bl_carvalho@yahoo.com.br
blcarvalho@pop.com.br

quarta-feira, agosto 04, 2004

Um Violão Amigo

Hoje eu queria cumprir uma promessa feita a um grande músico pernambucano de que ia homenagear o seu trabalho aqui no blog:

Claudio Almeida

Pernambucano de Pesqueira, ele é considerado um dos grandes músicos e arranjadores aqui do estado e já tocou com vários nomes da MPB, como Alceu, Elba, Geraldo Azevedo, Zeca Baleiro, entre outros...
Na sua discografia ele já tem dois discos e, puxando a sardinha para o meu lado ajudei a divulgar o primeiro, pois trabalhava na Music Store do Shopping Recife e sugeri a ele trazer um banner para mostrar que nós tinhamos um artista instrumental de qualidade, e com isso vendemos o disco com mais frequência e virou um CD carro chefe do estilo na loja...:

Claudio Almeida
Alma Pernambucana

Nesse segundo tenho uma modesta participação, já que sugeri a gravação das Bachianas de Villa Lobos, pois era dicifil se achar uma gravação com violão... Eita que hoje eu tô modesto que só...
Mas eu gostaria de dizer para quem gosta de música de qualidade pode procurar o disco nas lojas ou então pelo e-mail:

clalm@elogica.com.br

No mês passado foi publicada uma matéria no Correio Braziliense falando sobre o segundo disco e o mais nos orgulha é que o crítico Plácido Fernandes faz uma verdadeira exaltação e com isso Claudio recebeu encomendas de todo o país, até do exterior, é por isso que devemos valorizar o que é nosso, pois o pessoal de fora já descobriu...
Para encerrar, apesar de estar falando em música instrumental, tem uma núsica para encerrar esta homenagem, que é uma do primeiro disco, um arranjo diferente dela com a participação de outro amigo César Michilles no sax, nesse primeiro disco ainda tem uma versão para o Bolero de Ravel com um arranjo de Maracatu que é de primeira linha;

Hino do Elefante de Olinda
Clídio Nigro
Ao som dos clarins de Momo

O povo aclama com todo ardor
O Elefante exaltando suas tradições
E também seu esplendor
Olinda, esse meu canto é inspirado em teu louvor
Entre confetes e serpentinas venho te oferecer, com alegria, o meu amor
Olinda, quero cantar

A ti esta canção
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração
De amor, a sonhar
Em Olinda sem igual
Salve o teu carnaval

Um forte abraço:

Beto L. Carvalho
bl_carvalho@yahoo.com.br
blcarvalho@pop.com.br

terça-feira, agosto 03, 2004

A Sobrinha

Hoje eu vou encerrar a trilogia sobre a família Velloso e vou homenagear a sobrinha de Caetano e Bethânia:

Belô Velloso

Essa baiana precisa ser descoberta pelo grande público, pois é uma das melhores cantoras da nova geração e infelizmente o grande público não tem acesso; Sua discografia é:

Belô Velloso 1996
Um Segundo 1997
Marés 1999
Acústico 2000
Acústico com Clip 2001
Pegue ou Largue 2002

A música escolhida para encerrar é uma de Chico Buarque:

Você vai me seguir
(Chico Buarque - Ruy Guerra)
Você vai me seguir

Aonde quer que eu vá
Você vai me servir
Você vai se curvar
Você vai resistir
Mas vai se acostumar
Você vai me agredir
Você vai me adorar
Você vai me sorrir
Você vai se enfeitar
E vem me seduzir
Me possuir, me infernizar
Você vai me trair
Você vem me beijar
Você vai me cegar
E eu vou consentir
Você vai conseguir
Enfim, me apunhalar
Você vai me velar
Chorar, vai me cobrir
E me ninar

Maiores informações:

http://www.belovelloso.com.br/

O meu abraço:

Beto L. Carvalho
bl_carvalho@yahoo.com.br
blcarvalho@pop.com.br

segunda-feira, agosto 02, 2004

Saudade Do Rei

Quinze anos atrás o nordeste perdeu seu grande representante:

Luiz Gonzaga, O Rei do Baião

Eu sou um privilegiado de poder fazer essa homenagem aquele que durante décadas levou o sertão para esse mundo todo sempre com seu vozeirão característico, o seu chapéu de couro e a sua sanfona branca...
Não precisa falar muito, então vamos para a música que na minha opinião representa essa luta para mostra que o nordeste é capaz de se manter:

Vozes da seca
(Luiz Gonzaga / Zé Dantas)
Seu doutô, os nordestinos, têm muita gratidão
Pelo auxílio dos sulistas nessa seca do sertão
Mas doutô, uma esmola a um homem que é são

Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão
É por isso que pedimos proteção a vosmicê,

Homi por nós escoído para as rédias do poder
Pois doutô, dos vinte estados temos oito sem chover,

Veja bem, quase a metade do Brasil tá sem comer
Dê serviço a nosso povo, encha os rios de barragem

Dê comida a preço bom, não esqueça a açudagem
Livre assim nós da esmola que no fim dessa estiagem

Lhe pagamos até os juros sem gastar nossa coragem
Si o doutô fizer assim salva o povo do sertão

Se um dia a chuva vim que riqueza pra nação
Nunca mais nós pensa em seca vai dar tudo nesse chão,

Como vê nosso destino
Mecê tem na vossa mão Mecê tem na vossa mão

Viva Seu Luiz Gonzaga, O Rei do Baião!!!!

Um abraço para todos:

Beto L. Carvalho
bl_carvalho@yahoo.com.br
blcarvalho@pop.com.br

domingo, agosto 01, 2004

A Mulher do Infinito Desejo

Depois de ontem falar sobre Caetano, hoje eu vou homenagear a sua irmã, que teve uma atitude corajosa de trocar uma gravadora multinacional por uma pequena, independente, estou falando de:

Maria Bethânia

Como seu irmão, vou colocar um site não oficial e também o da gravadora atual para que todos possam conhecer um pouco mais dessa cantora fenomenal:

http://www.mariabethania.hpg.ig.com.br/
http://www.biscoitofino.com.br/

E a homenagem se encera com uma música de Chico Buarque que na minha opinião não tem outra gravação, só a de Bethânia:

Olhos nos Olhos
(Chico Buarque)
Quando voce me deixou, meu bem

Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme
Quase enlouqueci
Mas depois como era de costume, obedeci
Quando voce me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos
Quero ver o que voce faz
Ao sentir que sem voce eu passo bem demais
E que venho até remoçando
Me pego cantando sem mais nem porque
E tantas águas rolaram
Tantos homens me amaram bem mais e melhor que voce
Quando talvez precisar me mim
Voce sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos
Quero ver o que voce diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz

Sem mais, um abraço:

Beto L. Carvalho
blcarvalho@pop.com.br
bl_carvalho@yahoo.com.br

sábado, julho 31, 2004

O Homem da Cajuína

Hoje eu vou homenagear sobre um artista que é um dos maiores do mundo sem sombra de dúvidas:

Caetano Veloso

Ícone de uma geração, é um dos maiores compositores da história da MPB... Se for ficar falando sobre ele vai ser um post gigante, então para resumir:

http://www.caetanoveloso.com.br/

E como de praxe a música que eu considero um dos mais belos poemas vai para vocês e foi gravado por Gal Costa e também por Roberto Carlos:

Força Estranha
(Caetano Veloso)
Eu vi o menino correndo

Eu vi o tempo, brincando ao redor
Do caminho daquele menino
Eu pus os meus pés no riacho
E acho que nunca os tirei
O sol ainda brilha na estrada
E eu nunca passei
Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou
O sol que atravessa essa estrada
Que nunca passou
Por isso uma força me leva a cantar
Por isso uma força estranha
Por isso é que eu canto
Não posso parar
Por isso essa voz tamanha
Eu vi muitos cabelos brancos
Na fronte do artista
O tempo não pára
E no entanto ele nunca envelhece
Aquele que conhece o jogo
Do fogo das coisas que são
É o sol, é a estrada
É o tempo
É o pé é o chão
Eu vi muitos homens brigando
Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta
E a coisa mais certa de todas as coisas
Não vale um caminho sob o sol
É o sol sobre a estrada
É o sol sobre a estrada, é o sol
Por isso uma força me leva a cantar
Por isso uma força estranha
Por isso é que eu canto
Não posso parar
Por isso essa voz tamanha

Com poucas palavras me despeço, um abraço:

Beto L. Carvalho
blcarvalho@pop.com.br
bl_carvalho@yahoo.com.br

sexta-feira, julho 30, 2004

Poesia Matuta

A poesia nordestina tem alguns exemplos que devemos conhecer, pois é importante essa valorização para que não tenhamos que importar a cultura de outros locais...
Um grande exemplo da poesia matuta é um arquiteto paraibano chamado:

Jessier Quirino

Ele é um poeta de vários livros escritos com poemas e causos que orgulham esta região sofrida:

A Folha de Boldo - Notícias de Cachaceiros
Prosa Morena
Política de Pé de Muro - O Comitê do Povão
Chapéu Mau e Lobinho Vermelho
Agruras da Lata D'água
Paisagem de Interior

Os livros não estão por ordem, mas procurem eles...
Para encerrar eu tô colocando um poema, onde ele relembra um passado que dá gosto relembrar, dedico ele aos mais experientes:

Vou-me Embora Pro Passado
( Jessier Quirino)
Vou-me embora pro passado
Lá sou amigo do rei
Lá tem coisas "daqui, ó!"
Roy Rogers, Buc Jones
Rock Lane, Dóris Day
Vou-me embora pro passado.
Vou-me embora pro passado
Porque lá, é outro astral
Lá tem carros
VemaguetJeep Willes, Maverick
Tem Gordine, tem Buick
Tem Candango e tem Rural.
Lá dançarei TwistHully-Gully, Iê-iê-iê
Lá é uma brasa mora!
Só você vendo pra crê
Assistirei Rim Tim Tim
Ou mesmo Jinne é um Gênio
Vestirei calças de NycronFaroeste ou Durabem
Tecidos sanforizados
Tergal, Percal e BanlonVerei lances de anágua
Combinação, califon
Escutarei Al Di LáDominiqui Niqui Niqui
Me fartarei de GrapetteNa farra dos piqueniques
Vou-me embora pro passado.
No passado tem Jerônimo
Aquele Herói do Sertão
Tem Coronel Ludugero
Com Otrope em discussão
Tem passeio de Lambreta
De Vespa, de Berlineta
Marinete e Lotação.
Quando toca Pata Pata
Cantam a versão musical"Tá Com a Pulga na Cueca"
E dançam a música sapeca
Ô Papa Hum Mau Mau
Tem a turma prafrentex
Cantando Banho de Lua
Tem bundeira e piniqueira
Dando sopa pela rua
Vou-me embora pro passado.
Vou-me embora pro passado
Que o passado é bom demais!
Lá tem meninas "quebrando" ao cruzar com um rapaz
Elas cheiram a Pó de Arroz,da Cachemere BouquetCoty ou Royal Briar
Colocam Rouge e Laquê, english Lavanda Atkinsons
Ou Helena Robinstein
Saem de saia plissada ou de vestido Tubinho
Com jeitinho encabulado flertando bem de fininho.
E lá no cinema Rex
Se vê broto a namorar de mão dada com o guri
Com vestido de organdi com gola de tafetá.
Os homens lá do passado só andam tudo tinindo
De linho Diagonal,camisas Lunfor, a tal sapato Clark de cromo
Ou Passo-Doble esportivo ou Fox do bico fino
De camisas volta ao Mundo
Caneta Shafers no bolso ou Parker 51
Só cheirando a Áqua Velva
A sabonete Gessy
Ou Lifebouy, Eucalol
E junto com o espelhinhoPente Pantera ou Flamengo
E uma trunfinha no quengo
Cintilante como o sol.
Vou-me embora pro passado
Lá tem tudo que há de bom!
Os mais velhos inda usam Sapatos branco e marrom
E chapéu de aba largaRamenzone ou Cury Luxo
Ouvindo Besame MuchoSolfejando a meio tom.
No passado é outra história!Outra civilização..
Tem Alvarenga e Ranchinho tem Jararaca e Ratinho
Aprontando a gozação
Tem assustado à Vermuth ao som de Valdir Calmon
Tem Long-Play da Mocambo, mas Rosenblit é o bom
Tem Albertinho Limonta Tem também Mamãe Dolores,
Marcelino Pão e Vinho, tem Bat Masterson, tem Lesse
Túnel do Tempo, tem Zorro não se vê tantos horrores.
Lá no passado tem corso, lança perfume Rodouro
Geladeira Kelvinator
Tem rádio com olho mágico
ABC a voz de ouro
Se ouve Carlos Galhardo
Em Audições Musicais
Piano ao cair da tarde
Cancioneiro de Sucesso
Tem também Repórter Esso com notícias atuais.
Tem petisqueiro e bufê junto à mesa de jantar
Tem bisquit e bibelôTem louça de toda cor
Bule de ágata, alguidar
Se brinca de cabra cega, de drama, de garrafão
Camoniboi, balinheira, de rolimã na ladeira
De rasteira e de pinhão.
Lá, também tem radiola, de madeira e baquelita
Lá se faz caligrafia, pra modelar a escrita
Se estuda a tabuada de Teobaldo Miranda
Ou na Cartilha do Povo, lendo Vovô Viu o Ovo
E a palmatória é quem manda.
Tem na revista O Cruzeiro
A beleza feminina, tem misse botando banca
Com seu maiô de elanca, o famoso CatalinaT
em cigarros Yolanda, Continental e Astória
Tem o Conga Sete Vidas, tem brilhantina Glostora
Escovas Tek, Frisante,
Relógio Eterna MaticCom 24 rubisPontual a toda hora.
Se ouve página sonora, na voz de Angela Maria"- Será que sou feia?
- Não é não senhor!- Então eu sou linda?- Você é um amor!...
"Quando não querem a paquera, mulheres falam:
"Passando,Que é pra não enganchar!""Achou ruim dê um jeitim!"
"Pise na flor e amasse!"E AI e POFE! e quizila
Mas o homem não cochila
Passa o pano com o olhar
Se ela toma Postafen que é pra bunda aumentar
Ele empina o polegar, faz sinal de "tudo X"
E sai dizendo "Ô Maré!Todo boy, mancando o pé
Insistindo em conquistar.
No passado tem remédio pra quando se precisar
Lá tem Doutor de família que tem prazer de curar
Lá tem Água Rubinat,Mel Poejo e AsmapanBromi
l E Capivarol,Arnica, Phimatosan,Regulador Xavier
Tem Saúde da Mulher
Tem Aguardente Alemã
Tem também Capiloton, Pentid e Terebentina
Xarope de Limão Brabo,Píluas de Vida do Dr. Ross
Tem também aqui pra nós, uma tal Robusterina
A saúde feminina.
Vou-me embora pro passado
Pra não viver sufocado
Pra não morrer poluido, pra não morar enjaulado
Lá não se vê violência, nem droga nem tanto mau
Não se vê tanto barulho, nem asfalto nem entulho
No passado é outro astral
Se eu tiver qualquer saudade escreverei pro presente
E quando eu estiver cansado da jornada, do batente
Terei uma cama patente daquelas do selo azul
Num quarto calmo e seguro onde ali descansarei
Lá sou amigo do rei
Lá, tem muito mais futuro
Vou-me embora pro passado.

Maiores informações:

http://www.jessierquirino.com.br

Aquele velho abraço:

Beto L. Carvalho
bl_carvalho@yahoo.com.br
blcarvalho@pop.com.br


quinta-feira, julho 29, 2004

Espaço para os Amigos

Hoje eu vou falar sobre um cara que tem um futuro muito promissor como um artista da nova geração de músicos aqui de Recife:

Leo Rios

Carioca que tem alma pernambucana e que infelizmente deu uma parada na carreira, mas com certeza irá voltar e eu espero que seja o mais breve possivel...
Ele não tem nenhum disco lançado, só um demo que possui três músicas:

Adolá
Mil Faces
Janaina


Prestem atenção nessa letra que considero uma poesia da mais alta qualidade:

Adolá
(Léo Rios)
Pele que não se toca
Boca que não se beija
Sentimento evapora
Duvido que vá voltar
Tudo ficou Preto e Branco 

Dias, semanas em pranto
Mas fiz sozinho a mudança
Tô pronto para quem chegar
Foi meio assim sem resposta
Depois de tantas apostas
Mas ficou a certeza
De quem perdeu por não amar
Seja o que for não tem volta
Se quem fechou esta porta
Abortou a esperança
Semente que faz perdoar
Escravo em navio negreiro
Conselho de jangadeiro
Ah, lágrima de um guerreiro
Que perdeu por batalhar
Amor ferido, derradeiro
Em barco para Madagascar
Adolá não me diz nada não
Sabe Deus se vou voltar
Não ria, Não é fevereiro
Não ria, Não é fevereiro
Não ria, Não é fevereiro de mim...

Adolá quer dizer até logo em um dialeto africano; E queria pedir ao meu amigo que volte pois a MPB precisa de artistas como você.

Então Adolá para todos:

Beto L. Carvalho
bl_carvalho@yahoo.com.br
blcarvalho@pop.com.br

quarta-feira, julho 28, 2004

O Homem do Piercing

Continuando falando sobre uma geração de Nordestinos que sairam da sua terra natal para tentar a vida no "Sul Maravilha", quando Chico César começou a fazer sucesso ele falou de um maranhense que era seu parceiro e que em breve o todo mundo ia querer escutar esse artista que se chama:

Zeca Baleiro

Eu procurei logo quando chegou o disco aqui e pude comprovar a qualidade das poesias que esse maranhense faz e que encantou Gal Costa que o convindou para fazer uma participação no seu Acústico MTV e com isso ele se tornou conhecido no Brasil inteiro fazendo sucesso com seus quatro discos solos e um com parceria:

Por Onde Andará Stephen Fry? 1997
Vô Imbolá 1999
Líricas 2000
PetShopMundoCão 2002
Raimundo Fagner & Zeca Baleiro 2003
 
Os quatro primeiros saíram pela MZA e o último pela Indie Records

Esse último disco reúne duas gerações desses nordestinos que precisam sair daqui para serem reconhecidos na sua terra, pois a sociedade tem o péssimo hábito de não valorizar o que é de casa...
Para fazer a minha homenagem o primeiro grande sucesso dele:

FLOR DA PELE
(Zeca Baleiro)
Música incidental: Vapor Barato(Wally Salomão/ Jards Macalé)
 
Ando tão à flor da pele
Que qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar na janela me faz morrer
 Ando tão à flor da pele
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele tem o fogo do juízo final
 Ando tão à flor da pele
Que qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele
 Que teu olhar na janela me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele tem o fogo do juízo final
Um barco sem porto, sem rumo, sem vela,
Cavalo sem sela
Um bicho solto, um cão sem dono, um menino, um bandido
Às vezes me preservo, noutras suicido
Ando tão à flor da pele
Que qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar na janela me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele tem o fogo do juízo final
Um barco sem porto, sem rumo, sem vela,
Cavalo sem sela Um bicho solto, um cão sem dono, um menino, um bandido
 Às vezes me preservo, noutras suicido
"Oh sim Eu estou tão cansado mas não pra dizer
Que não acredito mais em você
Eu não preciso de muito dinheiro
Graças a deus
Mas vou tomar aquele velho navio
Aquele velho navio"
Um barco sem porto, sem rumo, sem vela,
Cavalo sem sela Um bicho solto, um cão sem dono, um menino, um bandido
Às vezes me preservo, noutras suicido

Maiores informações no site oficial:

http://www2.uol.com.br/zecabaleiro/

Meu abraço:

Beto L. Carvalho
bl_carvalho@yahoo.com.br
blcarvalho@pop.com.br

 

terça-feira, julho 27, 2004

O Homem do Filá

Um dia eu estava vendo TV e descobri um cantor que tinha um visual diferente mas com uma bela voz e eu me perguntei quem era esse sujeito e percebi que era o mesmo que tinha escutado Lenine falar numa outra entrevista; O nome dele é:

Chico César
 
Paraibano de Catolé do Rocha ele foi na década de 80 para São Paulo e como toda uma geração só veio estourar já nos anos 90 mas hoje em dia pode ser considerado um grande representante deste cenário da música brasileira.
Gravou cinco discos:

aos vivos
Cuzcuz-clã

Beleza mano
Mama mundi
Respeitem meus cabelos, brancos

Ele é um poeta e queria fazer minha homenagem tradicional com a que acho a mais bela letra:

Templo
(Chico César)
Se você olha pra mim
Se me dá atenção
Eu me derreto suave
Neve no vulcão
Se você toca em mim
Alaúde emoção
Eu em desmancho suave
Nuvem no avião
Himalaia himeneu
Esse homem nu sou eu
Olhos de contemplação
Inca maia pigmeu
Minha tribo me perdeu
Quando entrei no templo da paixão 

O site oficial é:

www.uol.com.br/chicocesar

O meu velho abraço:

Beto L. Carvalho
bl_carvalho@yahoo.com.br
blcarvalho@pop.com.br

segunda-feira, julho 26, 2004

Instrumental

Hoje é dia de música instrumental com o grupo Sá Grama que faz o clássico com o popular utilizando a linha armorial criada por Ariano Suassuna na década de 70 com o Quinteto Armorial que tinha entre seus integrantes, Antônio Nóbrega que já falei dele nesse blog.
O Sá Grama é formado por alunos e professores do Conservatório Pernambucano de Música e já tem quatro discos:

Sá Grama
Engenho
Tábua de Pirulito
Trilha sonora do Filme "O Auto da Compadecida"

É um prato cheio de cultura regional feita com qualidade com todos os elementos que se tem nesse nordeste tão rico e divulgar essa cultura.

O site do grupo é:

www.sagrama.com.br

Por hoje é só, meu abraço:

Beto L.Carvalho
bl_carvalho@yahoo.com.br
blcarvalho@pop.com.br

 

domingo, julho 25, 2004

Patativa

Eu hoje eu vou fazer uma homenagem a um poeta popular do nosso nordeste, o cearense Patativa do Assaré que eu conheci em 1985 pois em virtude de uma enchente que tivemos aqui no sertão que vivia uma seca braba e era moda se fazer discos para se arrecadar dinheiro para ajudar as vítimas, como por exemplo:

We are The World - Usa For Africa

Aqui no Brasil tivemos o Nordeste Já, um compacto que se comprava nas agências da Caixa, salvo engano, e tinha uma música que fooi criaçõa coletiva:

Chega de Mágoa

E uma que foi feita sobre um poema dele:

Seca d´água

E ela dizia assim:

"É triste para o nordeste o que a natureza fez, mandou cinco anos de seca e uma chuva em cada mês e agora em 85 mandou tudo de uma vez...
... A sorte do nordestino é mesmo de fazer dó, Seca sem chuva é ruim mas Seca d´água é pior..."

Hoje em dia temos que enaltecer um poeta semi analfabeto que publicou livros com poesias maravilhosas e com isso temos que nos orgulhar dessas façanhas e acreditar que as dificuldades são para serem superadas...

Procurem saber mais infomações sobre este poeta popular no site:

http://www.tanto.com.br/Patativa.htm

Eu gostaria de encerrar essa homenagem com um dos mais belos poemas que foi gravado por Luiz Gonzaga:

A Triste Partida
(Patativa de Assaré)
Meu Deus, meu Deus,
Passou-se setembro outubro e novembro,
Estamos em Dezembro
Meu Deus que é de nós
Assim diz o pobre do seco Nordeste com medo da peste e da fome feroz
A treze do mês fez a experiência perdeu sua crença

Nas pedras de sal com outra esperança com gosto
Se agarra pensando na barra do alegre Natal
Passou-se o Natal e a barra não veio

O sol tão vermeio nasceu muito além
na copa da mata buzina a cigarra
Ninguém vê a barra pois barra não tem
Sem chuva na terra descamba janeiro até fevereiro

No mesmo verão reclama o roceiro dizendo consigo:
Meu Deus é castigo não chove mais não
Apela pra março o mês preferido do santo querido senhor São José

Sem chuva na terra está tudo sem jeito lhe foge do peito o resto da fé
Assim diz o velho sigo noutra trilha convida a família e começa a dizer:

Eu vendo o burro o jumento e o cavalo nós vamos a São Paulo viver ou morrer
Nós vamos a São Paulo que a coisa está feita

Por terra alheia nós vamos vagar
Se o nosso destino não for tão mesquinho pro mesmo cantinho nós torna a voltar
Venderam o burro jumento e cavalo até mesmo o galo venderam também

E logo aparece um feliz fazendeiro por pouco dinheiro lhe compra o que tem
Em cima do carro se junta a família chega o triste dia já vão viajar

A seca é terrível que tudo devora lhe bota pra fora do torrão natá
No segundo dia já tudo enfadado o carro embalado veloz a correr

O pai de família triste e pesaroso um filho choroso começa a dizer
De pena e saudade papai, sei que morro meu pobre cachorro quem dá de comer?

E outro responde: Mamãe, o meu gato da fome e maltrato mimi vai morrer
A mais pequenina tremendo de medo mamãe, meu brinquedo

E meu pé de fulô a minha roseira sem água ela seca e minha boneca também lá ficou
Assim vão deixando com choro e gemido seu norte querido um céu lindo azul

O pai de família nos filhos pensando o carro rodando na estrada do sul
O carro embalado no topo da serra olhando pra terra seu berço seu lar

Aquele nortista partido de pena de longe acena adeus, Ceará
Chegaram em São Paulo sem cobre e quebrado o pobre acanhado procura um patrão

Só vê cara feia de uma estranha gente tudo é diferente do caro torrão
Trabalha um ano dois anos mais anos e sempre no plano de um dia inda vim

O pai de família triste maldizendo assim vão sofrendo tormento sem fim
O pai de família ali vive preso sofrendo desprezo

E devendo ao patrão o tempo passando vai dia e vem dia
Aquela família não volta mais não
Se por acaso um dia ele tem por sorte notícia do Norte

O gosto de ouvir saudade no peito lhe bate de molhos
As águas dos olhos começam a cair
Distante da terra tão seca mas boa sujeito a garoa a lama e o pau

É triste se ver um nortista tão bravo viver sendo escravo na terra do Sul

Um grande abraço:

Beto L. Carvalho
bl_carvalho@yahoo.com.br
blcarvalho@pop.com.br