sábado, dezembro 08, 2007

Um Encontro Mágico

Com mais de um ano de atraso, venho falar sobre um show que assisti aqui no projeto Seis e Meia que juntou um trio para relembrar grandes sucessos de pelo menos vinte anos atrás...
Três grandes artistas que marcaram uma geração e que até hoje mostram uma música de qualidade que agrada aos filhos dessa geração...
Começando por Byafra que com um repertório correto começando por seu grande sucesso, que estará logo abaixo, levando ao delirio o público, provocando inclusive reações exageradas de alguns fãs o que acabou gerando revolta, pois com a falta de respeito deles, ficando na frente do palco para tirar fotos...
Mas voltando ao show foram quarenta minutos, onde ele conseguiu mostrar porque é um dos maiores cantores românticos do Brasil...
Encerrando o show ele cantou outro grande sucesso que estará, também abaixo, onde dividiu o vocal com a segunda atração que falarei logo depois das músicas:


Sonho de Ícaro
(Pisca / Claudio Rabello)
Voar voar, subir subir ir por onde for
Descer até o céu cair ou mudar de cor
Anjos de gás, asas de ilusão
E um sonho audaz feito um balão
No ar no ar eu sou assim brilho do farol
Além do mais amargo fim simplesmente sol
Rock do bom ou quem sabe jazz
Som sobre som bem mais bem mais
O que sai de mim feito prazer
De querer sentir o que eu não posso ter
O que faz de mim ser o que sou
É gostar de ir por onde ninguém for
Do alto coração mais alto coração
Viver viver e não fingir esconder no olhar
Pedir não mais que permitir jogos de azar
Fauno lunar sombras no porão
E um show vulgar todo verão
Fugir meu bem pra ser feliz só no pólo sul
Não vou mudar do meu país nem vestir azul
Faça o sinal cante uma canção
Sentimental em qualquer tom
Repetir o amor já satisfaz
Dentro do bombom há um licor a mais
Ir até que um dia chegue em fim
Em que o sol derreta a cera até o fim

Leão Ferido
(Byafra/Dalto)
Feche os olhos, não te quero mais
Dentro do coração
Quantas vezes eu tentei falar com você
Eu não gosto de me ver assim
Mas não tem solução
A verdade dói demais em mim
Solidão
Tenho que ser bandido
Tenho que ser cruel
Um leão ferido feroz
Sou um herói vencido
Anjo que fere o céu
Um grito de amor sumido
Na voz
E nós
Hoje.


O segundo é Tunai, um médico que é irmão de João Bosco, mas que é um dos maiores compositores dessa geração, ele começou sua apresentação com aquela que com certeza é seu maior sucesso, colocarei depois, e continou mais comedido intercalando os sucessos com músicas novas, mas também foi ovacionado, principalmente na homenagem que fez a sua madrinha, Elis Regina que coloco aqui:

Frisson
Tunai
Meu coração pulou, você chegou, me deixou assim
Com os pés fora do chão
Pensei: que bom, parece, enfim acordei
Prá renovar meu ser faltava mesmo chegar você
Assim, sem me avisar, prá acelerar um coração
Que já bate pouco de tanto procurar por outro
Anda cansado, mas quando você está do lado
Fica louco de satisfação, soli..dão nunca mais
Você caiu do céu, um anjo lindo que apareceu
Com olhos de cristal me enfeitiçou,
Eu nunca vi nada igual
De repente você surgiu na minha frente
Luz cintilante, estrela em forma de gente
Invasora do planeta amor, você me conquistou
Me olha, me toca, me faz sentir
Que é hora agora da gente ir.
As Aparências Enganam
Tunai/ Sérgio Natureza
As aparências enganam
Aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio
Se irmanam na fogueira das paixões
Os corações pegam fogo e depois
Não há nada que os apague
Se a combustão os persegue
As labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno, o pão
O vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão
Sonhos vividos de conviver
As aparências enganam
Aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio
Se irmanam na geleira das paixões
Os corações viram gelo e depois
Não há nada que os degele
Se a neve cobrindo a pele
Vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer
Não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer
Se não chorar sob o cobertor
As aparências enganam
Aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo
Se irmanam no outono das paixões
Os corações cortam lenha e depois
Se preparam para outro inverno
Mas o verão que os unira
Ainda vive e transpira ali
Nos corpos juntos na lareira
Na reticente primavera
Nos corpos juntos na lareira
Na reticente primavera
No insistente perfume de...
Alguma coisa chamada amor



Para fechar o show ele chamou outro ícone que é o Dalto com quem dividiu os vocais numa música e o deixou sozinho para desfilar os grandes hits do final dos anos 70 e inicio dos 80...
Segundo um espectador mais exaltado, chamando-o de muito doido, ele começou desfilando seus grandes sucessos e foi agitando cada vez mais o público...
Não poderia deixar de comentar a participação muito especial do violonista Cassio Tucunduva que com sua virtuosidade abrilhantou o espetáculo...
Duas dessas músicas eu coloco aqui para mostrar o talento desse compositor:

Muito Estranho
Dalto
Hum! Mas se um dia eu chegar muito estranho
Deixa essa água no corpo lembrar nosso banho
Hum! Mas se um dia eu chegar muito louco
Deixa essa noite saber que um dia foi pouco
Cuida bem de mim
Então misture tudo dentro de nós
Porque ninguém vai dormir nosso sonho
Hum! Minha cara, prá que tantos planos?
Se quero te amar e te amar e te amar muitos anos
Hum! Tantas vezes eu quis ficar solto
Como se fosse uma lua a brincar no teu rosto
Cuida bem de mim
Então misture tudo dentro de nós
Quase Não Da Para Ser Feliz
Dalto
Quanto mais te chamo
Você não vem
Será que ainda dorme comigo?
Será que ainda sonha?
Posso, mas não topo mais
Ficar sozinho
Me encontro no fim do caminho
Te encontro no fim
Largo tudo se você chegar agora
O amor tá em cima da hora
O seu amor ou o meu?
Não dá
Posso te esperar ou não
Mas quase não dá para ser feliz

Para encerrar o post, vou falar de duas partes do show, uma foi a abertura da cantora pernambucana Rosana Simpson, que com o percussionista Xéxeu deu um show inclusive fazendo uma homenagem a Dalto, citada por ele nop show principal e o outro momento foi o encerramento com os três no palco cantando Milton Nascimento...

Essas duas músicas encerram o post:


Espelhos D'Água
Dalto/ Cláudio Rabello
Os seus olhos são espelhos d'água
Brilhando você, pra qualquer um
Por onde esse amor andava
Que não quis você de jeito algum
Que vontade de ter você
Que vontade de perguntar
Se ainda é cedo
Que vontade de merecer
Um cantinho do teu olhar
Mas tenho medo
Os seus olhos são espelhos d`água
Brilhando você, pra qualquer um
Por onde esse amor andava
Que não quis você de jeito algum
Que vontade de ter você
Que vontade de perguntar
Se ainda é cedo
Que vontade de merecer
Um cantinho do teu olhar
Mas tenho medo
Que vontade de ter você
Que vontade de perguntar
Se ainda é cedo
Que vontade de merecer
Um cantinho do teu olhar
Mas tenho medo
Que ainda é cedo
Mas tenho medo
Canção Da América
(Milton Nascimento/ Fernando Brant)
Amigo é coisa prá se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração, assim falava a canção
Que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir
Mas quem ficou
no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou
no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou
Amigo é coisa prá se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam não
Mesmo esquecendo a canção
E o que importa é ouvir
A voz que vem do coração
Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar

Um abraço para todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

sexta-feira, dezembro 07, 2007

60 anos do Sr Frevo


Hoje, Pernambuco rende homenagens aquele que é a cara do mais pernambucano dos ritmos, O frevo...
Haverá no Marco Zero uma comemoração dos 60 anos de carreira de Claudionor Germano, o maior representante das músicas de Capiba, Nelson Ferreira e tantos outros compositores...
Desde 1947 ele nos encanta com seu talento , pois quem nunca ouviu na sua voz, Oh Bela, Madeira que Cupim não Rói, Hino dos Batutas de São José, Evocação nº1 e tantos outros sucessos...
Ele foi o primeiro a ter um registro pela gravadora pernambucana Mocambo, logicamente tinha que ser um frevo, foi o primeiro cantor da Frevioca que levava uma orquestra completa por todos os cantos da cidade...
Bem então vamos todos para essa celebração dos grandes frevos que contará com a participação de artistas como Silvério Pessoa, Lenine, Chico César, Antônio Nóbrega, Alceu Valença, além de seus filhos Nonô Germano e Paulo da Hora, como também de vários cantores locais que irão prestar reverência a Voz do Frevo!!!!
Marco Zero do Recife
À partir das 20:00
Hoje dia 7/12
Agora com vocês as músicas citadas acima:
Evocação nº1
(Nelson Ferreira)
Felinto,
Pedro Salgado,
Guilherme Fenelon,
Cadê teus blocos famosos
Bloco das Flores,
Andaluzes,
Pirilampos,
Após-Fum,
Dos carnavais saudosos
Na alta madrugada o coro entoava
Do bloco a marcha "Regresso"
Que era um sucesso dos tempos ideais
Do velho Raul Moraes
Adeus, adeus minha gente
Que já cantamos bastante
Recife adormecia, ficava a sonhar
Ao som da triste melodia!

Madeira que Cupim não Rói
(Capiba)
Madeira do Rosarinho
Vem à cidade sua fama mostrar,
E traz com seu pessoal
Seu estandarte tão original.
Não vem pra fazer barulho,
Vem só dizer e com satisfação:
Queiram ou não queiram os juízes,
O nosso bloco é de fato o campeão!
E se aqui estamos cantando essa canção,
Viemos defender a nossa tradição,
E dizer bem alto que a injustiça dói,
Nós somos madeira de lei que cupim não rói.
Oh! Bela
(Capiba)
Você diz que ela é bela
Ela é bela sim senhor
Porém poderia ser mais bela
Se ela tivesse o meu amor
Meu amor
Bela é toda natureza
Oh Bela
Belo é tudo que é belo
Oh Bela
O sorriso da criança
Belo é ver o passarinho
Oh belo
Indo em busca do seu ninho
Oh Bela
Todo mundo se amando
Com amor e com carinho
Uns sorrindo outros chorando
De amor
Você Sabe Lá o Que é Isso(Hino dos Batutas de São José)
(João Santiago)
Eu quero entrar na folia, meu bem
Você sabe lá o que é isso
Batutas de São José, isso é
Parece que tem feitiço
Batutas tem atrações que,
Ninguém pode resistir
Um frevo desses bem faz,
demais a gente se distiguir
Deixe o frevo rolar
Eu só quero saber, se você vai brincar
Ah! Meu bem sem você não há carnaval
Vamos cair no passo e a vida gozar
Um abraço para todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Uma Overdose de Geraldo



Nos dias 23/24/25 de novembro, tive uma orvedose de artistas chamados Geraldo...

Na sexta fui ao projeto Seis e Meia assistir a um show que há muito gostaria de ter tido oportunidade que foi Geraldo Azevedo só com voz e violão, onde ele intercalou seus grandes sucessos com músicas novas, sendo que na primeira parte do show foram quase quarenta minutos de música sem parar, ou seja uma fantástica apresentação...
Para mudar um pouco depois de cada tópico colocarei duas músicas que fazem parte da carreira de cada artista:


Táxi Lunar
Geraldo Azevedo /Alceu Valença/ Zé Ramalho
Ela me deu o seu amor, eu tomei
No dia dezesseis de maio... viajei
De espaçonave atropelado, procurei
O meu amor, aperriado
Apenas apanhei na beira mar
Um taxi prá estação lunar
Bela, linda, criatura bonita
Nem menina, nem mulher
Tem espelho no seu rosto de neve
Nem menina, nem mulher
Pela sua cabeleira vermelha
Pelos raios desse sol lilás
Pelo fogo do seu corpo, centelha
Pelos raios desse sol

Bicho de Sete Cabeças
Geraldo Azevedo/ Zé Ramalho/Renato Rocha
Não dá pé não tem pé nem cabeça
não tem ninguém que mereça
não tem coração que esqueça
não tem jeito mesmo
não tem dó no peito
não tem nem talvez defeito
que você me fez desapareça
cresça e desapareça
Não tem dó no peito
não tem jeito
não tem ninguém que mereça
não tem coração que esqueça
não tem pé não tem cabeça
não dá pé não é direito
não foi nada, eu não fiz nada disso
e você fez um bicho de sete cabeças

No sábado foi a vez do meu amigo Geraldinho Lins, um artista que cada vez conquista seu espaço, gravou seu segundo DVD e fez um show co mais de três horas, com participações muito especiais, Silverio Pessoa, Beto Hortiz, Maestro Spock com sua orquestra e seu grande amigo que tocou com ele no inicio de sua carreira, César Michilles, foi um show para reencontrar com grandes amigos, pessoas que não vemos no dia a dia...
Agora duas músicas clássicas de seu repertório:

Xote da Saudade
(Geraldinho Lins / Carlinhos Borges)
Eu já sabia
Que um dia sentiria saudade sua
Pedi arrego todo dia aquela Lua
E me inspirava em teu olhar pra cantar
E o aconchego
E o teu chamego agora só era lembrança
A paz não vinha
E o jeito era entrar na dança
Queria te esquecer pra nunca mais sofrer
Mas não é assim
Ninguém manda em coração apaixonado
Tô entregue, tô todo desmantelado,
Por causa do amor que você me ensinou
E essa dor
Eu consolo com o toque de sanfona
Enquanto você não vem
Eu espero noite e dia
Fazendo fantasias
Recriando nosso mundo
E doeu sim
Foi a saudade que bateu
Tenha dó de mim
E vem ficar mais eu
Amor do Sertão
(Geraldinho Lins/ Luciano Barros)
Amor do Sertão
Aconteceu comigo
Lá para as bandas da Bahia
Cheirei a menina
Nos seus olhos se via meu futuro, minha sina
Meu pranto rolava como as águas das cascatas
Daí a pouco a viola choraria
Toda a dor que meu peito confrangia
E a saudade da cabloca que saiu em retirada
Igualzim aos Passarim que saíram em revoada
Deixando no sertão uma alma abandonada
Mas deixe está ingratidão
Ao cantar da Patativa outro sol já vai nascer
Vou tirar de minha mente
Vou cantar outro repente, vou tentar te esquecer...
A solidão bateu Asa Branca foi-se embora
Mandacaru secou, está chegando minha hora
Minha vida agora é noite, já não vejo mais a aurora
Tudo pro causa da cabloca que nasceu lá no sertão
Tomando minha vida e também meu coração
Me prometendo muito amor, mas me trocou por outro João


No domingo para encerrar, fui a um pocket show de Geraldo Maia, um grande cantor que cada vez mais me torno admirador, com sua banda bem azeitada fez um show de uma na Livraria Cultura com o repertório do seu último disco, intercalando com músicas de sua apresentação no programa Som Brasil sobre Djavan...
As músicas dele são desse pocket show, uma de Capiba e a outra de Djavan:

Serenata Suburbana
(Capiba)
Eu levo a vida em serenata
Somente a cantar, cantar
Quem não me conhece tem a impressão
De que eu sou tão feliz
Mas não é isso não
Se eu canto em serenata
É para não chorar
Ninguém sabe a dor que eu sinto
Dentro de mim
Ninguém sabe porque eu vivo
Tão triste assim
Se eu fosse realmente
Muito feliz
Não chorava quando eu canto
E nem cantava para abafar meu pranto

Fato Consumado
(Djavan)
Eu quero ver você mandar na razão
Pra mim não é qualquer notícia que abala um coração
Eu quero ver você mandar na razão
Pra mim não é qualquer notícia que abala um coração
Eu quero ver você mandar na razão
Pra mim não é qualquer notícia que abala um coração
Se toda hora é hora de dar decisão, eu falo agora
No fundo eu julgo o mundo um fato consumado e vou
embora
Não quero mais, de mais a mais, me aprofundar nessa
história
Arreio os meus anseios, perco o veio e vivo de
memória
Eu quero é viver em paz
Por favor me beije a boca
Que louca, que louca!
Eu quero é viver em paz
Por favor me beije a boca
Que louca, que louca!

Realmente foi uma grande overdose de Geraldos!!!!

Um abraço para todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Música Instrumental de Qualidade



Estava revirando os meus arquivos e encontrei vários textos de shows que fui e não publiquei, então resolvi publicar eles...
Um projeto de música instrumental chamado Circular Brasil é um das melhores coisas que ocorrem no Brasil nesse ano...
Essa edição que fui foi com o Grupo Jacarandá da Bahia com a participação muito especial de Armandinho Macedo que como sempre mostrou sua virtuosidade...
Me impressionou muito o talento desses caras, que me fez refletir porque o teatro não estava lotado, mesmo com ingresso popular, o que será que faltou????
Imagino que a midia não se interesse por esse tipo de música, o que considero uma irresponsabilidade, pois todos deveriam ter a chance de conhecer vários estilos musicais e não só os que poderosos querem...
Mas deixa para lá, vamos falar de coisa boa como o que me deixou muito feliz em ver músicos que fazem a dita música baiana se reunirem para fazer uma MPB instrumental de muita qualidade, tocando vários estilos com brilhantismo...
Eles tiveram, como já falei, a participação de Armandinho Macedo, que parecia não um convidado, mas um dos integrantes da banda, tamanho o entrosamento deles...
Com clássicos do forró, chorinho, da MPB, propriamente dita, com frevos novos, mas sempre levantando o público...
Bom pessoal, essa é mais uma indicação do blog, e espero que todos procurem conhecer o trabalho desse grupo que faz uma verdadeira música de qualidade...
E para encerrar, neste domingo dia 9/12 terá a última edição do ano do projeto com o Grupo Pau Brasil e Toninho Ferragutti, mais detalhes vocês encontram nesse link:
Abraço para todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

sábado, dezembro 01, 2007

Um Evento que Foi Danado de BOM!!!


Eita meu povo, olha eu de volta por essas bandas, depois de tirar todas as teias de aranha que estavam por aqui...
Na terça feira dia 20 de novembro tive a honra de comparecer a uma festa que foi a maior concentração de artistas por metro quadrado do Recife...
O aniversário de quatro anos de uma grande sacada de Fábio Cabral, uma loja especializada em música brasileira...
Hoje o mercado de disco é complicado, por isso que essa loja é um jóia rara dentro da nossa cidade...
Voltando a festa, tivemos a participação de grandes artistas pernambucanos como Silvério Pessoa, Maciel Melo, Geraldo Maia, Claudio Almeida, Josildo Sá, Nena Queiroga, Alessandra Leão, Chico Pedrosa, Fim de Feira, Leda Dias, Luciano Magno, Antônio Madureira Filho, um jovem flautista que vai dar muito o que falar, fora todos os outros que estiveram por lá e não deram sua palhinha, mas abrilhantaram o evento...
Salve Fábio Cabral, um batalhador da cultura brasileira...
Quem quiser conhecer um pouco mais da loja, para quem tem orkut é só entrar nesse link:
Epara quem estiver em Recife é só ir:
Estrada do Encanamento 480 Parnamirim Recife
Shopping Sitio da Trindade
Tel: 81 32680888
Abraço a todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

quarta-feira, maio 16, 2007

A Nação das Cantoras


Com esse titulo a revista Veja do dia 11/04/2007 com o número 2003, começou uma reportagem sobre o dominio da voz feminina na música brasileira, uma constatação que eu já observava alguns anos atrás, coincidentemente poucas são as cantoras que conhecia o que prova que a quantidade, ou melhor, a qualidade é muito forte...
Quando eu trabalhava com venda de discos, pude conhecer várias cantoras que me deixaram impressionado com o som maravilhoso, agora vou citar algumas, cada uma está com um link para que todos possam conhecer o seu trabalho, então vamos a elas:
Essas doze representam muitas outras cantoras que descobri nessa época, então lendo a reportagem de Sérgio Martins vi que hoje em dia temos uma outra leva de cantoras surgindo, pois só nela são citadas mais de vinte e cinco...
Observando a reportagem, o autor fala de quatro escolas, a de Marisa Monte onde ele cita seis cantoras:
A escola de João Gilberto, único homem citado na reportagem, com mais seis cantoras que são essas aqui, lembrando que todas estão com links para que todos possam conhecer um pouco mais desses trabalhos:
Kay Lira, essa não consegui uma página na internet...
A terceira escola é a de Elis Regina com cinco cantoras:
A última escola é a de Clara Nunes, onde ele cita cantoras mais conhecidas do grande público como:
Algumas outras cantoras são citadas na matéria, uma delas é a Ana Paula Lopes e outra é a Negra Li, essa que poderia estar numa outra escola a de Sandra de Sá, onde eu poderia incluir também a Paula Lima, tem mais a ver com ela...
Ainda temos outras que não foram citadas na reportagem, como Leilah Moreno, Quelynah, Cindy, que trabalharam com Negra Li, no filme e na série "Antônia", Roberta Granchy, Elisa Gatti, Nô Stopa, Isabella Taviani e muitas outras, aceito sugestões...
Pela minha terra, vou citar algumas como Lucinha Guerra, Isabela Moraes, Valeria Rocha, Edilza, Jana Figarella, Kelly Rosa, Kelly Benevides, Rosana Simpson, Sevi Nascimento e tantas outras que não me lembro agora, aceito sugestões também...
E para encerrar, não poderia de falar a única coisa que não gostei da reportagem, ele não citar Maria Rita, por isso a imagem dela lá em Cima...
Um abraço para todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

O Talento do Sertão


Hoje vou falar de uma atriz que saiu de Cabrobó, sertão pernambucano para brilhar no cinema, teatro e agora na televisão...
Falo de Hermila Guedes, uma das maiores revelações artisticas dos últimos tempos que tive a oportunidade de ver pela primeira vez o seu trabalho no filme "Cinema , Aspirinas e Urubus" onde ela aparece pouco mas com grande intensidade, depois a vi no curta "Entre Paredes" em que ela junto com Servilio de Holanda simplesmente arrasam como um casal problemático...
Ano passado também tive a oportunidade de ver essa atriz no teatro, na peça "Angu de Sangue", onde ela mostrava a força do seu talento...
Só faltava a televisão e isso chegou de uma forma arrassadora com a participação dela num especial de fim de ano "Por Toda a Minha Vida" da Rede Globo, onde ela teve a incubência de interpretar, simplesmente, Elis Regina fez isso com muita competência e isso está rendendo um bom contrato com a Vênus Platinada...
Agora vou falar sobre um filme que assisti no inicio do ano "O Céu de Suely" de Karim Anouz, onde ela atua como uma sertaneja que volta para sua terra natal depois de uma temporada em São Paulo, a carga dramática dela junto com a atuação de João Miguel, que ela já tinha contracenado " Cinema..." faz com que ele se torne um dos grandes filmes dos últimos tempos, pois com os dilemas da personagem e a forma escolhida por ela para tentar resolver seus problemas impressiona e faz com que todos reflitam se para dar uma vida melhor para seus entes queridos vale a pena tudo...
Ontem assisti ao último filme que ela participa " O Baixio da Bestas", onde ela também aparece pouco, mas de uma forma tão intensa...
Ela é o verdadeiro talento do sertão, procurem toda sua filmografia, se puderem a ver no teatro e esperem que ela estará na próxima novela das oito!!!
Um abraço para todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

terça-feira, maio 15, 2007

O Adeus da Rainha da Música Regional


Hoje o blog homenageia aquela que era considerada a Luiz Gonzaga de saias que nos deixou nessa segunda feira...
Marinês, essa pernambucana de São Vicente Ferrér, que viveu toda sua vida em Campina Grande, foi uma batalhadora pela música nordestina, sempre lutando para que todos pudessem ter acesso...
Em 1999, saiu um disco com vários artistas cantando com ela nos seus 50 anos de carreira, é um disco muito interessante, não deixem de conhecer...
Vamos completar a homenagem com duas músicas que fizeram parte do seu repertório e que todos conhecem:

Bate Coração
(Antonio Barros e Cecéu)
Bate, bate, bate coração
Dentro desse velho peito
Você já está acustumado a ser maltratado
A não ter direito
Bate, bate, bate coração,
Não ligue deixe quem quiser falar
Porque o que se leva dessa vida coração
É o amor que a gente tem pra dar
Oi tum, tum bate coração
Oi tum coração pode bater
Oi tum, tum bate coração
Que eu morro de amor com muito prazer
As águas desaguam para o mar,
Meus olhos vivem cheios d´água
Rolando, molhando o meu rosto de tanto desgosto
Me causando mágoa
Mas meu coração só tem amor
E amor tivera mesmo pra valer
Por isso a gente pena,
Sofre e chora coração
E morre todo dia sem saber.
Oi tum, tum, bate coração
Oi tum coração pode bater
Oi tum, tum bate coração
Que eu morro de amor com muito prazer

Pisa na Fulô
João do Vale/ Silveira Jr. /E. Pires
Pisa na Fulô
Pisa na Fulô
Pisa na Fulô
Não maltrata o meu amor
Um dia desse fui dançar lá em Pedreira
Na Rua da Golada
E gostei da brincadeira
Zé Caxangá
Era o tocadô
Mas só tocava Pisa na Fulô
Sô Serafim
Cuchichava mais Dió
Só capaz de jurá
Nunca vi forró mió
Inté vovó
Garrou na mão de Vovô
Vamo embora meu meu veinho
Pisa na Fulô
Eu vi menina
Que nem tinha 12 ano
Agarrá seu par
Também sai dançando
Satisfeitas e dizendo:
Meu amor, ai como é gostoso
Pisa na Fulô
De madrugada
Zé Caxangá
Disse ao dono da casa:
Num precisa me pagá
Mas por favô
Arranje outro tocador
que eu também quero
Pisa na Fulô
Pi, pi, pisa na Fulô
Pisa, pisa, pisa, pisa, pisa
Pisa na Fulô
Vem cá, menina
Que eu também quero
Que eu também vô
Pisa na Fulô
Pisa na Fulô
Não maltrata meu amor
Um abraço para todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

quarta-feira, maio 09, 2007

O Talento Génetico

Ele inspirou o tema de hoje


Venho aos poucos tentando voltar ao blog, com isso surgiu um assunto que me deu vontade de falar ao ouvir uma entrevista de Max Vianna, filho de Djavan, num sábado desses voltando para casa falando sobre o novo disco...

Ai me deu vontade de falar sobre os vários filhos de artistas que estão aparecendo, uns com mais destaque que outros, mas todos mostrando alguma qualidade nos seus trabalhos...
Podemos começar falando dos mais famos que surgiram praticamente juntos, o que levou muitos a falarem em mais um movimento que surgia...
Saõ os que aparecem com o surgimento da Trama, gravadora cujo um dos sócios é um legitimo representante dessa turma, o filho mais velho de Elis Regina, João Marcelo Boscôli, que junto com seu irmão Pedro Mariano e seus amigos Jair Oliveira, Luciana Mello, Max de Castro e Simoninha gravaram um projeto chamado "Artistas Reunidos", que também tinha outros que não são filhos de famosos; Os citados todos tem uma carreira sólida, sem a sombra dos pais como Jair Rodrigues e Wilson Simonal respectivamente...
O mesmo acontece com a irmã caçula de Pedro e João, Maria Rita que depois de um inicio de carreira onde muitos tentavam comparar com sua mãe, conseguiu ocupar o seu espaço com um grande talento...
Podemos falar também de outros artistas como Bena Lobo, filho de Edu Lobo, Jay Vaquer, filho da Jane Duboc, que faz um trabalho bem interessante, Luiza Possi que a exemplo de Maria Rita, conseguiu mostra no seu último disco que é mais que a filha de Zizi...
Temos muitos outros exemplos para falar. mas vou citar mais duas que me chamam a atenção; Um é a Clara Moreno, eternizada pela mãe Joyce na música Clareana, que hoje é uma das mais novas vozes femininas que agradam, A Marina Elali uma menina que não é filha, mas neta de um dos grandes parceiros de Luiz Gonzaga, Zé Dantas de quem ela fez uma bela releitura de Sábia...
Pois é amigos, estamos de volta e espero que todos curtam essa volta!!!!
Um abraço para todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

quarta-feira, abril 25, 2007

Música para os Olhos


Fui assistir a um filme que me deixou extremamente emocionado, o documentário "Cartola, Música para os Olhos" dos pernambucanos Lirio Ferreira e Hilton Lacerda...
Aprender um pouco mais da vida e obra de Agenor de Oliveira, foi maravilhoso, assim como foi Vinicius, filme do final de 2005...
Ver a importância do Samba para o Rio de Janeiro e assistir grandes personalidades da época de ouro dando depoimentos, gravações originais o que enriquece muito o trabalho de pesquisa dos diretores...
sendo narrado pelo próprio Cartola em alguns momentos, o filme mostra a vida sofrida, complicada que fez com que ele abandonasse a música em alguns momentos, mas sempre dando a volta por cima e com mais força...
As suas músicas sempre serão lembradas e até hoje emocionam e como não poderia deixar de ser aqui vão quatro momentos belos da sua obra:

O Mundo é Um Moinho
Cartola
Ainda é cedo amor.
Mal começaste a conhecer a vida.
Já anuncias a hora da partida.
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar.
Presta anteção querida, embora eu saiba que estas
resolvida.
Em cada esquina cai um pouco a tua vida.
Em pouco tempo não serás mais o que és.
Ouça-me bem amor.
Preste atenção, o mundo é um moinho.
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos.
Vai reduzir as ilusões a pó.
Preste atenção querida.
Em cada amor tu herdarás só o cinismo.
Quando notares estás à beira do abismo.
Abismo que cavastes com teus pés.

As Rosas Não Falam
Cartola
Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar para mim
Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
por fim

Acontece
Cartola
Esquece nosso amor vê se esquece
Porque tudo no mundo acontece
E acontece que já não sei mais amar
Vai chorar vai sofrer
E você não merece
Mas isso acontece
Acontece que meu coração ficou frio
E nosso ninho de amor está vazio
Se eu ainda pudesse fingir que te amo
Ai se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo
Isso não acontece

O Sol Nascerá
Cartola
A sorrir
Eu pretendo levar a vida,
Pois chorando
Eu vi a mocidade perdida.
A sorrir
Eu pretendo levar a vida,
Pois chorando
Eu vi a mocidade perdida.
Finda a tempestade
O sol nascerá,
Finda esta saudade
Hei de ter outro alguém para amar.
A sorrir
Eu pretendo levar a vida,
Pois chorando
Eu vi a mocidade perdida.
A sorrir
Eu pretendo levar a vida,
Pois chorando
Eu vi a mocidade perdida.
Levar a vida
Um abraço para todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

segunda-feira, abril 23, 2007

Uma Homenagem na TV


Quem é vivo sempre aparece, já dizia o velho ditado!!!! Então estou de volta com força total para voltar a falar sobre a nossa cultura...
Chegando em casa num domingo de noite me deparei com uma homenagem a um dos maiores ícones da música nordestina num programa de televisão que se chama "Homenagem ao Artista" que é comandado por Raul Gil...
O Mestre Dominguinhos, pernambucano de Garanhuns era reverenciado por amigos, fãs e familia, o grande discipulo do Rei Luiz Gonzaga...
Resolvi enaltecer aqui essa homenagem, pois fiquei sabendo que ele passou por uns problemas de saúde, um momento bem delicado da sua vida, com uma cirurgia complicada, mas que graças a Deus está se recuperando bem, doido para pegar a estrada, pois avião ele não entra...
No titulo tem o link para a página oficial dele...
Sem mais delongas vamos para as músicas que foram feitas com um grande parceiro, Nando Cordel:

Vem Ficar Comigo
(Nando Cordel /Dominguinhos )
Vem ficar comigo
Vem ser a luz da minha estrada
Vivo esperando esse céu para brilhar
Teu sorriso lindo
A tua boca doce sempre
Eu necessito do teu amor
Pra me enfeitar
Vem ficar comigo
Vem cuidar de mim
Só teu paraíso é que me faz viver feliz
Não me deixe solta
Posso me perder
De tudo no mundo
O que eu mais quero é ter você
Vem ficar comigo
Vem ficar comigo

De Volta Pro Meu Aconchego
(Nando Cordel/Dominguinhos)
Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo
Um sorriso sincero, um abraço,
Para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade
Que bom,
Poder tá contigo de novo,
Roçando o teu corpo e beijando você,
Prá mim tu és a estrela mais linda
Em Am
Seus olhos me prendem, fascinam,
A paz que eu gosto de ter.
É duro, ficar sem você
Vez em quando
Parece que falta um pedaço de mim
Me alegro na hora de regressar
Parece que eu vou mergulhar
Na felicidade sem fim

Gostoso Demais
(Nando Cordel / Dominguinhos)
Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu
É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz
Pensamento viaja
E vai buscar meu bem-querer
Não posso ser feliz, assim
Tem dó de mim
o que que eu posso fazer



Isso Aqui Tá Bom Demais!
(Nando Cordel / Dominguinhos)
Olha, que isso aqui tá muito bom
Isso aqui tá bom demais
Olha, quem tá fora quer entrar
Mas quem tá dentro não sai
Pois é
Olha, que isso aqui tá muito bom
Isso aqui tá bom demais
Olha, quem tá fora quer entrar
Mas quem tá dentro não sai
Vou me perder, me afogar no teu amor
Vou disputar, me lambuzar nesse calor
Te agarrar pra descontar minha paixão
Aproveitar o gosto dessa animação
Olha, que isso aqui tá muito bom
Isso aqui tá bom demais
Olha, quem tá fora quer entrar
Mas quem tá dentro não sai
Pois é
Olha, que isso aqui tá muito bom
Isso aqui tá bom demais
Olha, quem tá fora quer entrar
Mas quem tá dentro não sai



Um abraço para todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Adeus ao Mestre


Hoje estou vindo aqui para homenagear um dos grandes compositores da música brasileira...
Grande Sivuca, artista que sempre admirei...
Não vou falar mais, para conhecer um pouco mais da obra desse gênio cliquem no titulo e entrem no site oficial, e agora vou fazer a homenagem colocando duas de suas obras primas que irão ficar eternizadas!!!!!

João E Maria
(Sivuca/Chico Buarque)
Agora eu era herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cawboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
Ensaiava um rock para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juíz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que fiz coroar
Era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu peão
Seu bicho preferido
Vem me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal
Que faz de conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você
Sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim

Feira De Mangaio
(Sivuca/ Glorinha Gadelha)
Fumo de rolo, arreio de cangalha
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Bolo de milho, broa e cocada
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Pé de moleque, alecrim, canela
Moleque sai daqui me deixa trabalhar
E Zé saiu correndo pra feira dos pássaros
E foi pássaro voando pra todo lugar
Tinha uma vendinha no canto da rua, onde o mangaieiro
ia se animar
Tomar uma bicada com lambú assado, e olhar pra Maria
do Joá
Tinha uma vendinha no canto da rua, onde o mangaieiro
ia se animar
Tomar uma bicada com lambú assado, e olhar pra Maria
do Joá
Cabresto de cavalo e rabichola
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Farinha, rapadura e graviola
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Pavio de candeeiro, panela de barro
Menino vou me embora, tenho que voltar
Xaxar o meu roçado que nem boi de carro
Alpargata de arrasto não quer me levar
Porque tem um Sanfoneiro no canto da rua, fazendo
floreio pra gente dançar
Tem Zefa de Purcina fazendo renda, e o ronco do fole
sem parar
Porque tem um Sanfoneiro no canto da rua, fazendo
floreio pra gente dançar
Tem Zefa de Purcina fazendo renda, e o ronco do fole
sem parar
Um abraço para todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

segunda-feira, novembro 27, 2006

Outro Grande Show


Voltando a falar no blog sobre shows que tive a honra de estar presente, um que ocorreu no dia 17/11 e foi junto com o de Lenine uma obra prima...
E aqui cabe também uma historinha parecida com a que contei no outro post, como conheci a música de Zeca Baleiro...
Bem antes de ele gravar com Gal Costa e se tornar conhecido pelo grande público eu já o tinha escutado numa rádio aqui de Recife chamada Manchete FM, hoje é a Nova Brasil, e tinha me interessado conhecer o trabalho dele, acho que a primeira música foi Bandeira ou Flor da Pele, não tenho certeza...
Bom, encontrei o disco numa loja e um mês depois mais ou menos ele apareceu para dar uma tarde de autográfos naquela que um ano depois seria meu local de trabalho a Music Store...
Fui um dos poucos a estar lá e prestigiar esse cara...
Vale ressaltar que além de ter o escutado na rádio, vi uma entrevista de Chico César onde ele falava muito bem de Zeca...
Então é isso, sempre procuro conhecer os novos artistas e vibro ao saber que eles conquistam seu espaço...
Voltando ao show, num projeto super popular, o MPB Petrobrás, ele e Tuco Marcondes seu fiel escudeiro proporcionaram a quem esteve lá um instante de magia, onde ele passeou por grandes sucessos e mostrou o quanto carismático é...
Depois de cantar, brincar com o público sobre seus projetos futuros, e teve um que achei muito legal, onde ele vai cantar só bregas, de matar de inveja Waldick Soriano, Bartô Galeno, artistas que ele mesmo disse fez questão de tietar num aeroporto...
Quem esteve lá, pode dizer que viu um show certinho, com muita música, interação com o público e muita, mais muita mesmo tietagem...
Vamos agora as músicas que abrilhantaram o show e escolhi tops de cada disco, pois são as que mostram quem é Zeca Baleiro:


Telegrama
Zeca Baleiro
Eu tava triste tristinho
mais sem graça que a top model magrela
na passarela
eu tava só sozinho
mais solitário que um paulistano
que um canastrão na hora que cai o pano
tava mais bobo que banda de rock
que um palhaço do circo vostok
mas ontem eu recebi um telegrama
era você de aracaju ou do alabama
dizendo nego sinta-se feliz
porque no mundo tem alguém que diz
que muito te ama que tanto te ama
que muito (muito) te ama que tanto (tanto) te ama
por isso hoje eu acordei
com uma vontade danada
de mandar flores ao delegado
de bater na porta do vizinho
e desejar bom dia
de beijar o português da padaria
oh mama oh mama oh mama
quero ser seu
quero ser seu
quero ser seu
quero ser seu papa
Eu tava triste tristinho
mais sem graça que a top model magrela
na passarela
eu tava só sozinho
mais solitário que um paulistano
e um vilão de filme mexicano
tava mais bobo que banda de rock
que um palhaço do circo vostok
mas ontem eu recebi um telegrama
era você de aracaju ou do alabama
dizendo nego sinta-se feliz
porque no mundo tem alguém que diz
que muito te ama que tanto te ama
que muito (muito) te ama que tanto (tanto) te ama
por isso hoje eu acordei
com uma vontade danada
de mandar flores ao delegado
de bater na porta do vizinho
e desejar bom dia
de beijar o português da padaria
oh mama oh mama oh mama
quero ser seu
quero ser seu
quero ser seu
quero ser seu papa
(mê dê a mão vamos sair pra ver o sol...)


Quase Nada
Zeca Baleiro/Alice Ruiz
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada
De você seI quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada


Lenha
Zeca Baleiro
Eu não sei dizer
o que quer dizer
o que vou dizer
eu amo você
mas não sei o que
isso quer dizer
eu não sei por que
eu teimo em dizer
que amo você
se eu não sei dizer
o que quer dizer
o que vou dizer
se eu digo pare
você não repare
no que possa parecer
se eu digo siga
o que quer que eu diga
você não vai entender
mas se eu digo venha
você traz a lenha
pro meu fogo acender


Bandeira
Zeca Baleiro
Eu não quero ver você cuspindo ódio
Eu não quero ver você fumando ópio para sarar a dor
Eu não quero ver você chorar veneno
Não quero beber o teu café pequeno
Eu não quero isso seja lá o que isso for
Eu não quero aquele, eu não quero aquilo
Peixe na boca do crocodilo
Braço da Vênus de Milo acenando tchau
Não quero medir a altura do tombo
Nem passar agosto esperando setembro, se bem me
lembro
O melhor futuro este hoje escuro
O maior desejo da boca é o beijo
Eu não quero ter o Tejo escorrendo das mãos
Quero a Guanabara, quero o Rio Nilo
Quero tudo, ter estrela, flor, estilo
Tua língua em meu mamilo água e sal
Nada tenho vez em quando tudo
Tudo quero mais ou menos quanto
Vida vida noves fora zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver
(Se é assim quero sim, acho que vim pra te ver)
Abraço e até mais:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

sexta-feira, novembro 24, 2006

Um Show do Cacete


Depois de um longo e tenebroso inverno, volto ao blog, extasiado depois do melhor show que assisti nos últimos tempos aqui em Recife...
Como ele mesmo falou, visilmente emocionado, no quintal de casa é muito bom fazer show...
Fiquei relembrando a primeira vez que vi Lenine, alguns anos atrás no Parque da Jaqueira, abrindo para o Quinteto Violado num domingo de tarde, fazendo um show com Marcos Suzano, lançando aqui o grande Olho de Peixe...
Ele era um cara totalmente desconhecido, que pouca gente tinha ouvida falar, mas como eu tinha escutado Leão do Norte com um grupo daqui de Recife, chamado Troupe Asas da América, me interessei em conhecer o som dele...
Resultado, sai de lá simplesmente enlouquecido, querendo achar onde comprar o disco e me tornei um fã e divulgador desse artista fantástico...
Hoje vendo o sucesso que foi o show de ontem, com o público num êxtase impressionante, que acho ele mesmo não esperava...
O Teatro Guararapes totalmente lotado, mesmo com os preços salgados, e todos gritando Lenine, Lenine, foi arrepiante...
E ele fez um show correto, onde passeou por todos os seus discos e ainda cantou inéditas que fizeram todos cantar todas as músicas...
O titulo do post é uma afirmação dele no show: É do Cacete!!!!!
Não tem mais o que falar sobre o show, só colocar algumas músicas que fizeram todos que estavam lá vibrar e se emocionar junto com ele:

O Homem Dos Olhos De Raio X
Lenine
Quando você piscou por mim o aroma
Me despertou de um estado de coma
Quando você partiu pra mim o embaraço
Deu ferrugem nos meus nervos de aço
Meus olhos de raio x cegaram de medo, é...
Pois tua alma é de chumbo e segredo
Quando você ciscou por mim, indecisa
Eu fui a razão do riso da Monalisa
Quando você sorriu pra mim um beijo
Na hora "H" foi como detonar a bomba do meu desejo
Meus olhos de raio x cegaram de medo, é...
Pois tua alma é de chumbo e segredo
Meus olhos,
Meus olhos,
Meus olhos...
Meus olhos de raio x...
Quando você piscou por mim o aroma
Me despertou de um estado de coma
Quando você partiu pra mim o embaraço
Deu ferrugem nos meus nervos de aço
Meus olhos de raio x cegaram de medo, é...
Pois tua alma é de chumbo e segredo
Quando você ciscou por mim, indecisa
Eu fui a razão do riso da Monalisa
Quando você sorriu pra mim um beijo
Na hora "H" foi como detonar a bomba do meu desejo
Meus olhos de raio x cegaram de medo, é...
Pois tua alma é de chumbo e segredo
Meus olhos,
Meus olhos,
Meus olhos...
Meus olhos de raio x...

O Último Pôr-do-Sol
Lenine
A onda ainda quebra na praia,
espumas se misturam com o vento.
No dia em que você foi embora, eu fiquei
sentindo saudades do que não foi
lembrando até do que não vivi, pensando em nós dois
Eu lembro a concha em seu ouvido,
trazendo o barulho do mar na areia.
No dia em que você foi embora,
eu fiquei sozinho olhando o sol morrer
por entre as ruínas de Santa Cruz lembrando nós dois
Os edifícios abandonados,
as estradas sem ninguém,
óleo queimado, as vigas na areia,
a lua nascendo por entre os fios dos teus cabelos,
por entre os dedos da minha mão passaram certezas e
dúvidas
Pois no dia em que você foi embora, eu fiquei
sozinho no mundo, sem ter ninguém,
o ultimo homem no dia em que o sol morreu

Que Baque é Esse?
Lenine
Ô Nega, que baque é esse?
Chegou pra me baquear.
Nega, tu não se avexe,
Meu corpo remexe
Sem se perguntar: Por quê?
Nega que baque é esse?
Ninguém pode me ajudar
Só mesmo com você
Quero ver o baque da vida virar.
O verão chegou,
O Sol já saiu
Pra tirar teu mofo
E o maracatu passou
Já com o bombo batendo fofo.
Só quem vai atrás
É capaz de entender
Toda essa magia
A nega dançando,
E a negada babando na fantasia

Jack Soul Brasileiro
Lenine
Jack Soul Brasileiro
E que o som do pandeiro
É certeiro e tem direção
Já que subi nesse ringue
E o país do swing
É o país da contradição
Eu canto pro rei da levada
Na lei da embolada
Na língua da percussão
A dança mulango dengo
A ginga do mango lengo
É o charme dessa nação
Quem foi que fez o samba embolar ?
E quem foi que fez o coco sambar ?
Quem foi que fez a ema gemer na boa ?
E quem foi que fez do coco um cocar ?
E quem foi que deixou o oco no lugar ?
E que foi que fez o sapo cantor de lagoa ?
Diz aí Tião ?
Vai Tião! (oi)
Fostes ? (fui)
Compraste ? (comprei)
Pagaste ? (paguei)
Me diz quanto foi ? (foi 500 réis)
Me diz quanto foi ? (foi 500 réis)
Jack Soul Brasileiro do tempero
Do batuque, do truque, do picadeiro e do pandeiro
E do repique, do pique do funk rock
Do toque da platinela
Do samba na passarela
Dessa alma brasileira
Despencando na ladeira
Na zoeira da banguela
Eu só ponho o bip bop no meu samba
Quando o tio Sam pegar no tamburim
Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba
Quando ele entender que o samba não é rumba
Aí eu vou misturar, Miami com Copacabana
Chiclete eu misturo com banana
E o meu samba, e o meu samba vai ficar assim
Ah ema gemeu......
Aaaaah ema gemeu
Um abraço a todos e na próxima semana tem mais:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

terça-feira, abril 25, 2006

Um Filme que Vale Assistir


VISÍVEIS DESENGANOS


Estréia nesta sexta na Fundaj “Crianças invisíveis” compilação de 7 curtas sobre a exclusão de crianças.


Por Mirella Alves

7 nações.
7 realidades diferentes.
7 diretores consagrados.
E um único tema: crianças excluídas.
Essa foi a idéia da produtora italiana Chiara Tilesi, em parceria com a Unicef, de mostrar a realidade de crianças marginalizadas em todo o mundo através de 7 curtas-metragens dirigidos por: Mehdi Charef, Emir Kusturica, Jordan Scott e Ridley Scott, Spike Lee, Kátia Lund, Stefano Veneruso e John Woo.
O motivo pelo qual as crianças são vítimas de algum tipo de exclusão é o de sempre: pobreza; mas há outras razões, como o fato de ser soropositiva, ou as circunstâncias em que vivem como em meio a guerra civil ou ainda serem exploradas pelos pais. São relatos densos, muitas vezes cruéis por mostrar com clareza, e sem nenhum recurso cinematográfico para esconder a verdade, o duro dia-a-dia delas. São crianças sem nenhuma perspectiva de mudança, de melhoria de vida, muito pelo contrário, suas vidas tendem a piorar a cada dia que se passa. São invisíveis para a sociedade em que vivem, mas os seus desenganos são muito visíveis; e isso os diretores conseguiram captar com muita destreza e sensibilidade através da lente de sua câmeras. Atenção especial para o admirável Tanza, de Mehdi Charef , o instigante Children of America, de Spike Lee, o interessante brasileiro Bilú e João, de Kátia Lund e o delicado Song-Song e a pequena Gatinha, de John Woo.
Engana-se quem pensar que essa realidade mostrada tão “nua e crua” é recheada de sentimentalismos e deixará os espectadores com os olhos marejados de lágrimas. Poderá até causar essa reação em alguns. Mas eles vão muito além disso, do só "fazer chorar". Despertam reflexões e não somente piedade, dó, ou qualquer outro sentimento de “pena”. Os filmes cumprem bem uma das tarefas do cinema- para mim, a mais importante- que é a de provocar a mente humana
Um Abraço para Todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

terça-feira, março 21, 2006

Uma Volta com Teatro

Depois de um longo, longo inverno estamos voltando com os mais diversos assuntos sobre a cultura brasileira...
Nessa fase agora teremos opiniões sobre eventos ocorridos desde o carnaval até agora...
Inicialmente teremos os mais recentes que fui com a primeira dama, Milla, que é a melhor companhia que alguém pode ter; Fomos a duas peças de teatro que impressionaram e que sem sombra de dúvidas vale a pena assistir...
A primeira foi Vau da Sarapalha do Grupo Piollim de João Pessoa, que é baseada num conto de Guimarães Rosa e que infelizmente só foi exibida nesse final de semana que passou, mas que esperamos que possa voltar logo, pois tem uma dramaticidade forte com atuações perfeitas de todos os atores destacando a de Servilio de Holanda que faz um cachorro com muita fidelidade...
Essa peça está sendo encenada desde de 1992 sempre com o mesmo elenco o que faz com que ela tenha mais credibilidade, pois o elenco está extremamente afinado, com a sonoplastia sendo feita ao vivo com a presença marcante do percussionista Escurinho que comanda todo os atores nos sons do sertão nordestino; Sem esquecer também da atuação dos outros atores como Soia Lira, que além de ser a única mulher do elenco tem uma participação muito marcante com seu vocabulário que ninguém consegue entender, a presença dos dois atores que conduzem a peça que são o Nanego Lira e Everaldo Pontes que fazem os primos apaixonados pela mesma mulher que acabou fugindo com outro...
Para encerrar não podemos esquecer a brilhante direção de Luis Carlos Vasconcelos que era mais conhecido por suas atuações em filmes como Eu, Tu, Eles, Carandiru, Baile Perfumado e em novelas como Senhora do Destino...
A segunda peça é Angu de Sangue e está em cartaz no Teatro Apolo aos sábados e domingos às 20:00...
Uma peça baseada nos livros de Marcelino Freire, Angu de Sangue e Balé Ralé ela possui vários esquetes, na maioria deles monólogos sem ser monótonos, que mostram o cotidiano a que são submetidos vários integrantes da sociedade e com atuações bem interessantes dos cinco atores...
O que mais me chamou a atenção foi a integração das midias como o audiovisual com um telão mostrando imagens que contracenam com os atores e a música que complementa bem a mensagem...

Bom meu povo estou encerrando essa volta e espero poder contar novamente com todos para que possam divulgar e continuar a deixar comentários aqui...


Um abraço:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Uma Resenha Critica

Um tema que merece ser analisado por todos...
CINEMA PARA TODOS??

Por Mirella Alves


Assim que acordei hoje, peguei o jornal para ler. Sexta-feira, corro logo para ver o que entrou em cartaz no cinema e a programação cultural geral da cidade. No entanto, fiquei surpresa e, ao mesmo tempo, indignada com o que vi: As crônicas de Nárnia está sendo exibido em nada menos que 13 salas e Harry Potter e o Cálice de Fogo permanece "dominando" 15 salas.

Nada contra as superproduções americanas, mas acho, no mínimo, um abuso uma cidade como Recife, que possui um bom público amante da 7ª Arte, ter 28 de suas 47 salas ( ou seja, mais da metade ) ocupadas por 2 filmes "arrasa-quarteirões"; ao passo que a FUNDAJ com apenas uma sala estará exibindo nada mais, nada menos que 32 filmes em apenas 13 dias na sua famosa Retrospectiva 2005/ Expectativa 2006. Na verdade, muito mais Expectativa, que Retrospectiva, já que apenas 3 filmes foram exibidos em circuito ( 2 deles na MostraMundo ) e todos os demais são inéditos.

É sabido que há toda uma polêmica a respeito dos filmes considerados "de arte" que são os exibidos em salas como a do Cinema da Fundação e que a principal justificativa de essas películas não entrarem nas outras salas é a falta de público "razoável para mantê-las em cartaz". Isso não é bem, digamos que, verdade. Recife, uma cidade"cinéfila" por natureza, que já foi considerada a "Hollywood brasileira" na primeira metade do século passado, é uma das melhores "praças" para o cinema,ao lado de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, tanto que sedia festivais nacionais importantes, e por isso atrai as atenções de todo o país, não só dos atores, produtores e fãs, mas das distribuidoras também, não pode dizer, portanto, que não há "público" para esse tipo de produção. Há sim. E muito. Alguns complexos de salas de cinema até já dedicaram uma parte, ainda que timidamente ( são apenas algumas sessões ao longo da semana ), de sua programação aos filmes considerados "não pipocas". Talvez, tenham medo de não conseguir o "retorno" esperado, daí a "entrada sutil" no estilo. O Box foi que reservou uma sala exclusiva para "filmes de arte", mas quando bem entende, retiram e colocam qualquer blockbuster e nem ao menos avisam ao público, o que revela, também, um certo desinteresse em películas dessa natureza. Resta-nos apenas fazer peripécias em nossos horários para tentarmos assistir a alguma coisa, de fato, de boa qualidade na programação da FUNDAJ que, devido a grande quantidade de filmes e o curto espaço de tempo para exibi-los, ficou com vários horários ingratos.

Então, ficam as questões: será que temos cinema para todos??? Para todos os gostos ( digamos assim) ??? Será que "filme-cabeça" é chato??? É chato porque é só para intelectual, porque somente ele entende???
Suponho que não. O chato mesmo é não ter opção para irmos assistir a esses filmes e o que não se entende é que só temos a oportunidade de vê-los no Cinema da Fundação.
Ainda bem que existe o Cinema da Fundação.
Um abraço para todos:
Beto L. Carvalho
Carpe Diem